Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Professor piauiense conclui maratona sete anos após transplante

Professor piauiense conclui maratona sete anos após transplante

O professor Jeferson Lacerda Probo celebrou nas redes sociais a conclusão dos 42 quilômetros da Maratona de Aracaju, realizada no primeiro domingo de março, exatos sete anos depois de passar por um transplante de fígado.

A superação e a rotina de treinos

Morador de Teresina com atuação profissional no interior maranhense, o docente de 50 anos mudou radicalmente seu estilo de vida após o procedimento cirúrgico realizado em novembro de 2019 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O transplante foi necessário devido a uma enfermidade hepática severa ligada à hemocromatose hereditária — patologia genética que causa acúmulo excessivo de ferro e lesões teciduais — e ao histórico de obesidade. “Meu quadro de saúde chegou a um estágio em que o transplante se tornou necessário para que eu pudesse continuar vivendo”, disse ao g1.

Com uma nova perspectiva, Jeferson adotou hábitos ativos que o levaram a disputar provas de rua, meias-maratonas, triatlos e até os Jogos Mundiais para Transplantados na Austrália em 2023. No entanto, a experiência na capital sergipana teve um significado único para o atleta. “Completar uma maratona, percorrendo 42,195 quilômetros, era um desafio diferente. Queri viver essa experiência e, principalmente, mostrar que a vida após um transplante pode ser repleta de projetos, sonhos e conquistas. Corri, caminhei, rezei, chorei e agradeci”, declarou.

Cuidados diários e gratidão eterna

A rotina do maratonista envolve disciplina intensa, exames periódicos, controle nutricional e o uso contínuo de imunossupressores. “Precisei reaprender a respeitar meu corpo e compreender meus limites. Aos poucos, fui recuperando minha autonomia e descobrindo novas possibilidades. Em 2020, comecei a participar de provas de corrida de rua. Depois aprendi a nadar e em 2022, participei do meu primeiro triatlo”, detalhou Jeferson.

O foco central da conquista, contudo, permanece na solidariedade de quem permitiu sua sobrevida. “Receber um órgão foi muito mais do que passar por uma cirurgia, foi ganhar uma segunda oportunidade de vida. Existe uma família que, mesmo em um momento de profunda dor, teve a generosidade de autorizar a doação. Carrego essa responsabilidade e essa gratidão todos os dias. Minha história também é a história de alguém”, afirmou. Ele reforçou esse sentimento ao concluir o evento: “Hoje, tenho uma medalha de maratona nas mãos porque uma família, em um momento de dor, permitiu que eu continuasse vivendo […] Saí de Aracaju com a certeza de que a maior conquista não foi completar uma maratona. Foi estar vivo para vivê-la”.

O cenário da fila de espera no Brasil

Enquanto histórias de sucesso como a de Jeferson ganham destaque, milhares de brasileiros continuam aguardando por uma chance semelhante. Dados do Ministério da Saúde apontam que 49.695 pessoas estavam na lista de espera por um órgão compatível até outubro, sendo 543 delas apenas no estado do Piauí.

A gestão da fila é exclusiva do SUS, atendendo de forma igualitária pacientes da rede pública e privada. A priorização obedece a critérios rigorosos que avaliam o tempo de cadastro, a gravidade clínica de cada caso e a compatibilidade sanguínea e anatômica entre doador e receptor, fator determinante especialmente em transplantes de coração e pulmão.

Fonte: SERGIPE