Ministra do TSE manda Nikolas remover post que associa fala de Lula a estupro de menores

A ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou a remoção de um vídeo publicado nas redes sociais do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que associava uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre exame de próstata a estupro de menores.

Entenda a origem da polêmica

O caso teve início durante um evento realizado em Belém (PA) na terça (29), quando Lula fez referência à resistência dos homens ao exame de toque para prevenção do câncer de próstata. Na ocasião, o petista disse que as mulheres, em comparação, “aprendem a tomar toque desde pequena”, em referência à rotina de exames ginecológicos de saúde da mulher.

As declarações exatas do presidente foram: “Hoje fizemos a primeira operação de robótica de próstata aqui no estado do Pará e do norte do país. A primeira operação robótica. E por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeitos. Ele não sabe que quando ele tiver câncer de próstata vão dar muito toque nele”.

A repercussão nas redes sociais

Apesar do contexto original voltado para a saúde pública, o trecho acabou viralizando de forma negativa nas redes sociais de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em uma postagem, Nikolas Ferreira utilizou, separadamente, o seguinte trecho da fala de Lula: “As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”.

Na sequência do material audiovisual, o parlamentar sugeriu que a declaração do chefe do Executivo se tratava de uma normalização, por parte do petista, do estupro de meninas e adolescentes. “Meninas não são tocadas desde cedo não. Imagina uma merda de um pedófilo ouvindo uma declaração do presidente da República falando isso”, destacou Nikolas no vídeo.

Fundamentação da decisão judicial

Ao analisar o pedido, a magistrada entendeu que, segundo o contexto, a fala de Lula, de fato, se tratava de uma comparação entre diferentes experiências por homens e mulheres de acompanhamento médico e cuidados preventivos.

Estela considerou que o vídeo divulgado por Nikolas não se limita a uma crítica ou à discordância política, e que o deputado, na realidade, introduziu uma interpretação “inteiramente diversa” do discurso original do presidente da República, deslocando a discussão do campo da saúde para o campo de crimes relacionados a menores de idade.

Segundo a visão da integrante do tribunal, a interpretação dada por Nikolas é capaz de conduzir quem assiste o vídeo à conclusão de que Lula estaria normalizando prática de crimes envolvendo crianças e adolescentes, o que não é a realidade do discurso original.

Fonte: Política – Folha

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