A semanas das eleições presidenciais brasileiras marcadas para o próximo domingo (4), o presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou as críticas contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e manifestou apoio público a Flávio Bolsonaro (PL). As novas declarações foram concedidas à publicação francesa Le Point, veículo para o qual o líder ultraliberal viajou nesta quarta-feira (30) com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros.
Relações comerciais e críticas ao presidente brasileiro
Interrogado a respeito do comércio com o Brasil, principal parceiro econômico dos argentinos, o mandatário argumentou que a cooperação “é uma questão entre entes privados”. “Se alguém quiser comercializar com o Brasil, seja bem-vindo. Isso não me impede de dizer o que penso sobre Lula”, respondeu.
Na sequência, o chefe de Estado retomou os insultos que, em agosto, deflagraram o pior desgaste diplomático entre os vizinhos sul-americanos em décadas. “Lula é um ladrão; saiu da prisão devido a um vício administrativo. Durante a minha campanha, ele enviou a Buenos Aires uma equipe de 30 psicólogos e comunicadores brasileiros para montar uma campanha negativa contra mim”, disse.
O posicionamento faz alusão ao grupo de marqueteiros associados ao Partido dos Trabalhadores que integrou a campanha de Sergio Massa, o principal adversário de Milei na disputa presidencial argentina de 2023. Na época, o líder ultraliberal acusou o governo brasileiro de financiar a candidatura do rival peronista sem apresentar evidências, apesar da presença de estrategistas de várias outras nacionalidades no pleito.
Ataques ao STF e interferência na política nacional
O presidente da Argentina também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a quem rotulou como “aquele juiz corrupto amigo de Lula”, questionando o veto imposto a uma visita planejada a Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar na capital federal. “Em contrapartida, quando Lula veio à Argentina, ninguém o impediu de visitar a presidiária e ladra Cristina Fernández de Kirchner, já condenada”, afirmou.
Por fim, o governante argentino culpou novamente um suposto estudante ligado ao PT pela rejeição enfrentada pela seleção da Argentina durante a Copa do Mundo deste ano, reiteração de uma acusação feita anteriormente sem provas. “Tenho a esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro para realizar o saneamento liberal de que o país precisa”, declarou.
Histórico do desgaste diplomático bilateral
A escalada de tensões teve início no encerramento de julho, quando o presidente argentino insultou autoridades do Brasil durante o evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Na ocasião, o político chamou Lula de ladrão e presidiário, além de classificar Moraes como “lixo careca”.
Em resposta às ofensas, o Itamaraty convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi e o representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para esclarecimentos. A crise gerou forte repercussão na Esplanada dos Ministérios, com declarações públicas de integrantes da administração federal contra o governante estrangeiro. O desdobramento mais severo ocorreu no começo de agosto, quando o governo brasileiro promoveu um rebaixamento inédito nas relações diplomáticas com a Argentina ao dispensar o embaixador Guillermo Daniel Raimondi em Brasília, mantendo Bitelli no território nacional até o momento atual.
Fonte: Política – Folha













