Meta nega viés político e justifica falhas nas redes de Lula
A Meta se manifestou publicamente nesta sexta-feira (16) para refutar qualquer interferência partidária no pleito brasileiro. A controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp declarou categoricamente que a empresa “não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição” e garantiu que oscilações observadas nos perfis dos postulantes à Presidência decorreram de problemas operacionais.
A manifestação da multinacional ocorreu logo após uma ordem expedida na quinta-feira (15) pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte estabeleceu uma multa diária de R$ 500 mil caso a plataforma interfira na circulação de peças de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de Flávio Bolsonaro (PL) até o desfecho do segundo turno. A ação partiu da assessoria jurídica do petista, que acusou a big tech de ter “falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação”.
Em nota oficial, a companhia assegurou equidade no tratamento aos candidatos: “Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”.
Bloqueio acidental no gerenciador da campanha petista
Ao explicar o cancelamento temporário da conta de anúncios da chapa governista, a Meta pontuou que o procedimento durou cerca de sessenta minutos em 23 de setembro e decorreu de um erro operacional, descartando motivação ideológica. Segundo a corporação, os perfis convencionais de Lula nas redes não sofreram interrupção.
“Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, após um anúncio ter sido classificado como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes. A análise antifraude incorreta feita sobre este anúncio foi adotada no âmbito de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU) para combater golpes envolvendo programas federais”, detalhou a empresa.
A organização também vinculou a ocorrência ao endurecimento legal no país, mencionando que restrições decorrentes “das regras rígidas do Brasil para conteúdo digital” acabam por gerar distorções indesejadas, pois “aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão”. A nota acrescentou ainda: “Desde 2025, essas regras ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros”.
Instabilidades globais afetaram contagem de Reels e anúncios
Outro ponto abordado pela empresa foram as anomalias nas métricas registradas em 7 de outubro. Conforme a plataforma, a inconsistência na apuração das visualizações de vídeos curtos teve alcance internacional e atingiu também a equipe adversária.
“É importante destacar que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato com a Meta neste dia para relatar o mesmo problema”, enfatizou a companhia. A nota explicou a abrangência do defeito: “Durante cerca de cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente. O incidente afetou criadores em mais de 100 países.”
Dois dias mais tarde, em 9 de outubro, um novo entrave técnico de caráter global decorrente da reformulação de códigos impossibilitou momentaneamente que anunciantes promovessem postagens previamente veiculadas no Instagram.
Disparidade na inteligência artificial
A empresa também abordou queixas de eleitores sobre a ferramenta Meta AI no WhatsApp, que estava processando imagens de Flávio Bolsonaro, mas bloqueando comandos semelhantes referentes a Lula. A instituição alegou que “o incidente envolvendo a Meta AI em 14 de outubro resultou de uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político”.
Para se alinhar às diretrizes eleitorais brasileiras, a gigante de tecnologia havia determinado o veto preventivo da IA para criação de materiais imagéticos ou recomendações de candidaturas.
“Nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos – incluindo “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro” -, mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral”, concluiu a Meta em seu comunicado.
Fonte: G1 - Política