Com a apuração de 99,99% das urnas no último domingo (4), o senador Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, confirmaram que vão se enfrentar no segundo turno da corrida presidencial, marcado para o próximo dia 25.
O pleito registrou uma margem extremamente apertada na liderança. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, o que representa 56,1 milhões de eleitores, enquanto Lula alcançou 45,16%, somando 53,9 milhões. Os demais concorrentes pontuaram abaixo de 3%, destacando-se Augusto Cury (Avante) com 2,89%, Renan Santos (Missão) com 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD) com 2,18%. As abstenções atingiram 21,07% do eleitorado brasileiro.
A distância inferior a dois pontos percentuais entre os dois primeiros colocados configura a menor diferença já registrada em um primeiro turno presidencial desde o retorno da democracia ao país. O recorde anterior pertencia ao pleito de 2022, quando o candidato petista abriu 5,23 pontos de vantagem sobre o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Avanço da direita nos estados
A votação consolidou uma forte onda bolsonarista em âmbito nacional. Partidos do campo da direita e legendas aliadas asseguraram vitórias ainda no primeiro turno em 10 estados, ao passo que o grupo político liderado pelo PT triunfou em 5 unidades federativas. No total, 20 governadores foram definidos na etapa inicial, estabelecendo um recorde para o atual século.
Em São Paulo, um dos cenários mais simbólicos, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Jair Bolsonaro, garantiu a reeleição com 62,65% dos votos válidos. Fernando Haddad (PT), ex-ministro de Lula, ficou na segunda colocação com 36,42%, acumulando sua quarta derrota consecutiva em eleições majoritárias.
Outros nomes de destaque da direita também venceram na primeira rodada, como Sergio Moro (PL) no Paraná, Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina e Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais. Na base governista, mantiveram-se os mandatos de Jerônimo Rodrigues na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará e Rafael Fonteles no Piauí.
Renovação histórica no Congresso
O impacto da base conservadora se refletiu com força na disputa legislativa. O PL conquistou 28 cadeiras e formará a maior bancada do Senado a partir de 2027, seguido por PT (9) e MDB (8). Entre os novos senadores eleitos estão figuras de proa do bolsonarismo, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, ambas pelo Distrito Federal. O avanço de candidaturas femininas também bateu recorde, com 12 mulheres eleitas para o Senado, elevando a bancada feminina da Casa para 18 parlamentares.
Dados de levantamento indicam que o Senado contará com pelo menos 49 parlamentares favoráveis a discussões sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, embora o quórum necessário para aprovar tais afastamentos seja de 54 votos.
Na Câmara dos Deputados, o pleito consagrou recordes de votação nominal. Lucas Pavanato (São Paulo) e Nikolas Ferreira (Minas Gerais) tornaram-se os deputados federais mais votados da história brasileira, superando a marca de 2 milhões de votos cada. Pelo campo progressista, Erika Hilton (PSOL-SP) ultrapassou 1,5 milhão de votos, alcançando o posto de mulher mais votada para a Câmara dos Deputados.
Pronunciamentos dos candidatos
Após a consolidação dos resultados, Flávio Bolsonaro declarou que o pleito marca o “fim da era do PT”. O senador manifestou otimismo em relação à disputa final e prometeu uma gestão enxuta, com redução no número de pastas ministeriais, além de mencionar a intenção de “resgatar a democracia” e nomear magistrados para o STF que adotem postura de não interferência no processo político.
“O Lula já disputou sete eleições presidenciais. Ele está preocupado com o poder. Eu estou preocupado com o futuro do Brasil”, disse.
Por sua vez, Lula avaliou que o resultado no primeiro turno serviu como aprendizado democrático e destacou que a corrida entra em uma nova fase na etapa decisiva.
“Apenas entre dois candidatos, a gente vai poder mostrar a diferença das propostas para o Brasil”, afirmou.
O petista também indicou que pretende explorar politicamente em sua campanha “a participação [do grupo político adversário] na criação do Banco Master”, alvo de investigações sobre conexões com figuras públicas e membros do Judiciário.
Agora, as campanhas voltam suas atenções para a conquista de cerca de 9 milhões de eleitores que votaram em outros nomes no primeiro turno. Análises preliminares apontam indícios de migração de parte do eleitorado de centros moderados e oposicionistas para a base de sustentação de Flávio Bolsonaro.
Fonte: Política - Folha




