Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu nesta segunda-feira (5) o desempenho eleitoral da direita na América Latina ao desmonte da Usaid, agência americana de ajuda internacional praticamente extinta pelo governo do republicano.
Impacto político e alegações sem provas
Por meio das redes sociais, logo após a divulgação do resultado da primeira etapa do pleito brasileiro que colocou frente a frente o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o herdeiro do governo norte-americano fez sua avaliação sobre o cenário político regional.
“Desde que desmantelamos a Usaid, a esquerda não ganhou uma única eleição presidencial na América Latina”, escreveu Trump Jr. na internet.
Sem apresentar evidências concretas, ele sustentou que bilhões de dólares dos contribuintes dos Estados Unidos eram repassados para organizações não governamentais, iniciativas de fomento à democracia e redes de ativismo que atuavam alinhadas a um único grupo político.
“Eles chamavam isso de ajuda, mas era interferência eleitoral. Obrigado, Elon Musk, por trazer isso à luz. O golpe acabou”, escreveu o filho do presidente, classificando a atuação do órgão como interferência e agradecendo ao empresário pelo papel central no desmonte da estrutura.
Histórico e repercussão internacional
A mesma linha de raciocínio foi adotada por Elon Musk ao comentar o cenário brasileiro na internet. O bilionário compartilhou uma reportagem sobre o país e pontuou que a agência se envolveu em interferência eleitoral e mudança de regime em todo o mundo, causando imensos conflitos.
A tese é frequentemente defendida por aliados de Donald Trump, que argumentam que o financiamento externo de organizações civis e projetos democráticos beneficia o espectro político de esquerda no exterior. Por outro lado, entidades beneficiadas e antigos integrantes da administração dos EUA rejeitam categoricamente tais acusações.
Fundada em 1961 pelo presidente John F. Kennedy, a Usaid nasceu com o propósito de centralizar a ajuda externa americana, unificando programas de assistência estrangeira já existentes no período.
Aliança política e cenário eleitoral
Nos bastidores políticos, Trump Jr. cultiva laços estreitos com a família Bolsonaro há anos, mantendo forte amizade com o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A aproximação ocorreu em 2018, integrando ambos em uma rede global de movimentos de viés conservador.
Em 2021, o filho do líder norte-americano participou virtualmente da CPAC Brasil, evento estruturado por Eduardo, e, nas vésperas das eleições de 2022, declarou apoio público à tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro (PL), classificando-o como a única barreira contra o avanço do comunismo e do socialismo na região sul-americana. A relação ganhou novos capítulos em janeiro de 2025, quando ambos se encontraram em Washington durante as festividades que antecederam a posse presidencial nos EUA.
Enquanto aliados celebram o avanço conservador, o governo americano adota cautela. Questionado sobre o pleito, o secretário de Estado, Marco Rubio, limitou-se a declarar que o pleito seguiu para o segundo turno “como todos esperavam”, evitando endossar qualquer um dos concorrentes. O próprio presidente americano comentou o assunto elogiando a agilidade na apuração dos votos, embora tenha cometido um deslize inicial ao confundir o Brasil com a Índia antes de corrigir a informação em suas redes sociais.
Fonte: Política - Folha




