Eleição 2026: financiadores do agro lideram doações para Lula e Flávio Bolsonaro
A prestação de contas parcial registrada pelas campanhas dos presidenciáveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que os principais doadores individuais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) possuem forte ligação com o agronegócio. É importante ressaltar que a legislação eleitoral proíbe doações de pessoas jurídicas, como empresas, permitindo apenas contribuições de pessoas físicas dentro dos limites legais.
Financiadores em comum e grandes somas No topo do ranking de financiadores da campanha petista está Erasmo Carlos Battistella, que contribuiu com R$ 500 mil. O empresário é CEO da Be8, produtora de biodiesel, e integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do governo federal, conhecido como “Conselhão”.
Curiosamente, o mesmo empresário repassou a mesma quantia para a campanha de Flávio Bolsonaro. No entanto, o primeiro lugar na lista do senador do PL pertence a outro expoente do setor: Eloi Vitório Marchett, empresário do ramo de soja que já doou R$ 2 milhões. Cabe destacar que o levantamento do ranking de doadores é parcial, sendo que o prazo final para a prestação de contas das campanhas que disputaram o segundo turno termina em 14 de novembro. O agronegócio, vale lembrar, responde por cerca de 25% do PIB brasileiro e atua como um dos principais motores econômicos do país.
Propostas de Lula para a atividade rural O plano de governo do atual presidente propõe fortalecer o crédito rural por meio do Plano Safra e assegurar financiamentos específicos para pequenos produtores com o Pronaf, além de expandir a vertente voltada à agricultura familiar e simplificar o acesso aos recursos com a digitalização de serviços.
Caso seja reeleito, Lula também pretende ampliar o seguro rural e instituir um programa nacional de resiliência climática no campo, contemplando conservação do solo, expansão da irrigação, agricultura de precisão e modernização nos sistemas meteorológicos. Na área comercial, o candidato promete fortalecer a diplomacia para ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado externo, enfatizando os 656 novos mercados abertos durante sua atual gestão.
Plano de Flávio Bolsonaro para o setor Por sua vez, o candidato do PL propõe ampliar a conectividade no campo para garantir acesso à internet em áreas rurais de baixa cobertura, dando continuidade ao programa Wi-Fi Brasil, iniciativa iniciada na gestão de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
O plano de governo também prevê a simplificação de autorizações para irrigação, o desenvolvimento de polos no Matopiba e no semiárido, e a aceleração da regularização fundiária de pequenas propriedades. Para mitigar a dependência externa, Flávio defende o estímulo à produção nacional de fertilizantes a partir de reservas minerais brasileiras, a exemplo de potássio e fosfato.
Demandas e desafios apontados por entidades Diante desse cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta como necessidade imperativa o controle dos gastos públicos para conter a dívida nacional e viabilizar a redução das taxas de juros que impactam o endividamento dos produtores rurais.
Por fim, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) encaminhou uma carta aos candidatos detalhando uma agenda estratégica estruturada em sete pilares e 23 tópicos para a próxima década. O documento ressalta a urgência de construir um ambiente institucional ágil e previsível para atrair capital privado, acelerar a transição tecnológica e combater a desinformação no campo.
Fonte: G1 - Política