Com uma média alarmante de quatro feminicídios diários no país, o tema da segurança pública tornou-se central para as eleitoras brasileiras, que vivem em estado de alerta permanente contra a violência e o machismo estrutural.
Estatísticas alarmantes da segurança pública No ano passado, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, sendo 65% negras e 62% mortas dentro de suas próprias casas. Para cada assassinato desse tipo, os registros apontam 501 ameaças e 182 episódios de agressão física. Além disso, o país contabilizou 231 estupros diários, com 77% das vítimas tendo até 13 anos de idade, embora especialistas reforcem que há uma subnotificação considerável nos boletins de ocorrência.
Visões divergentes e o impacto nas urnas O cenário de vulnerabilidade atravessa diferentes classes sociais e posições políticas, refletindo-se nas escolhas para a disputa presidencial. Enquanto algumas eleitoras priorizam pautas de centro-direita e criticam propostas de armamento, outras defendem o legado de programas sociais, evidenciando que a busca por proteção transcende alinhamentos partidários tradicionais.
Desafios e expectativas em relação ao Estado Segundo a professora da UnB Flávia Biroli, mulheres tendem a confiar mais no Estado e a desconfiar de medidas baseadas apenas em punições mais severas.
“Homens morrem mais e matam mais que mulheres, mas são seus filhos e companheiros”, diz. “As pesquisas mostram que as mulheres tem uma expectativa diferente em relação ao Estado, porque falam a partir deste lugar de perda. Para elas, o Estado é garantidor da creche, do transporte, da saúde e, portanto, a promessa de um Estado punitivista parece colar menos.”
Perspectivas para o futuro político Enquanto o debate sobre segurança pública desafia candidatos à reeleição e o crescimento de nomes da oposição, as eleitoras continuam a reivindicar políticas públicas mais eficazes que garantam o direito básico de ir e vir sem medo.
Fonte: Política – Folha













