A disputa pelo Governo do Distrito Federal será decidida no segundo turno entre a governadora Celina Leão (PP) e o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT), conforme projeção divulgada neste domingo (4). Com 99,5% das urnas apuradas, Celina liderou a votação com 49,91% dos votos válidos, enquanto o candidato petista registrou 34,49%.
Metodologia de projeção eleitoral Para antecipar o cenário de segundo turno, o sistema utilizado acompanha os boletins oficiais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A ferramenta agrupa os eleitores por mesorregião e natureza municipal, permitindo estimar o desfecho da votação assim que há volume suficiente de dados apurados.
Trajetória dos candidatos ao governo distrital Celina assumiu o comando da capital federal em março de 2026, após a saída de Ibaneis Rocha do cargo para tentar uma vaga no Senado — candidatura posteriormente abandonada em julho devido ao desgaste político gerado pela tentativa de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). Antes de chegar ao governo, ela atuou como deputada distrital e federal.
Na corrida eleitoral, a atual governadora conta com o respaldo político de Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente, além de figuras centrais da direita no DF, como Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos).
Do outro lado, Grass, que preside o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), trocou o PV pelo PT no ano passado e tem o apoio oficial do presidente Lula (PT). A campanha do petista ganhou ímpeto após a impugnação da candidatura de José Roberto Arruda (PSD). Ex-governador entre 2007 e 2010, Arruda figurava empatado tecnicamente com Celina em levantamento do Datafolha em agosto, mas teve o registro barrado pelo TSE em 24 de setembro em razão de condenações por improbidade decorrentes da Operação Caixa de Pandora.
Desempenho dos demais concorrentes O pleito também contou com a participação de Paula Belmonte (PSDB), que ficou na terceira posição com 8,5% dos votos, Kiko Caputo (Novo), com 4,4%, e Ricardo Capelli (PSB), com 2,2%. Os demais candidatos — Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson, Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB) — obtiveram menos de 1% cada.
O impacto da crise do BRB na campanha O próximo gestor do Distrito Federal herdará os desdobramentos da crise financeira envolvendo o BRB, assunto recorrente nos debates eleitorais. Alvo de críticas de opositores devido ao rombo na instituição, Celina tenta se distanciar do episódio e busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para recompor o caixa do banco.
A governadora ocupava o cargo de vice na gestão de Ibaneis quando ocorreu a tentativa de aquisição do Master, controlado por Daniel Vorcaro. Durante a campanha, ela reiterou que não participou da negociação e que mantinha distância do ex-presidente da instituição financeira, Paulo Henrique Costa, que atualmente está preso.
Em contrapartida, declarações obtidas de aparelhos celulares e divulgadas pela imprensa apontam que Daniel Vorcaro afirmou em abril de 2025 que Celina “não ficou de fora” das negociações e que a postura pública dela tratava-se de “jogo pra se preservar na política”.
Em resposta às revelações, Celina argumentou que a reportagem com os diálogos estava “fora de contexto” e “cria uma narrativa que não é verdadeira”. A governadora afirmou que nunca teve qualquer tipo de contato com Vorcaro e que sempre foi contra a operação BRB-Master.
O processo de intervenção e liquidação A transação financeira foi formalmente barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. Meses depois, em novembro do mesmo ano, o Master acabou liquidado pelo BC após a prisão de Vorcaro em uma operação da Polícia Federal realizada no momento em que ele embarcava em um jato particular rumo ao exterior.
Até o momento, o dimensionamento exato do prejuízo causado ao BRB permanece sem divulgação oficial. Desde que o escândalo financeiro veio à tona, nenhum balanço operacional — a exemplo das demonstrações de resultados referentes a 2025 e ao primeiro semestre deste ano — foi tornado público.
Fonte: Política - Folha




