O número de deputados que se autodeclaram brancos subiu pela primeira vez desde 2014, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) começou a coletar informações raciais dos candidatos. No domingo (4) foram eleitos 374 parlamentares brancos, ante 366 no pleito de 2022.
Eles representam 72,9% dos 513 assentos da Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, parlamentares autodeclarados pardos caíram de 113 para 106, indo de 22% para 20,7% do total; os deputados pretos foram de 26 para 29, oscilando de 5,2% para 5,7%.
A bancada indígena também diminuiu, elegendo um parlamentar a menos neste ano: foram três, contra quatro em 2022.
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Allison Sales – 1º.mar.2026/Folhapress
Embora o percentual tenha aumentado em relação a 2022, a presença de parlamentares brancos é menor do que em 2014, quando 80% dos deputados federais eleitos se declararam dessa forma ao TSE.
Na mesma tendência, as Assembleias Legislativas se tornaram mais brancas nestas eleições. Foram 14 os estados em que a proporção de brancos cresceu entre os deputados eleitos. São eles: Acre, Alagoas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Sergipe, Tocantins, além do Distrito Federal.
Alagoas, Mato Grosso e Piauí foram os estados em que o percentual de brancos cresceu mais: 22,2%, 20,8% e 20%, respectivamente. Com o crescimento, a Assembleia Legislativa de Alagoas passa a ser formada inteiramente por brancos. Segundo o Censo de 2022, 60% dos habitantes do estado se declaram pardos, e 9,6% se declaram negros.
Além de Alagoas, fica acima dos 90% de brancos a composição das Assembleias do Paraná, com 92,6%, e do Rio Grande do Sul, com 94,5%. Ambos os estados registraram aumento de cadeiras ocupadas por brancos —3,6% a mais no Rio Grande do Sul, e 1,9% a mais no Paraná.
O percentual de negros cresceu nas Assembleias de Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rondônia. O crescimento, porém, foi bem mais tímido que o de brancos. O Espírito Santo, que lidera a lista, viu crescer 10% o percentual de negros nas bancadas.
Acre, Rondônia, Amapá, Tocantins e Amazonas são os únicos estados com 50% ou mais de suas bancadas compostas por deputados não brancos (pardos, pretos, indígenas e amarelos). Os dois primeiros têm metade de suas assembleias formadas por deputados de outras etnias. Amapá e Tocantins têm, respectivamente, 54,1% e 54,2%; Amazonas tem 62,6%. No Acre e no Tocantins, houve queda de 12,5% e 16,7% na presença de parlamentares pretos e pardos nas Assembleias em relação a 2022.
Em todos esses casos, a maior presença é a de parlamentares pardos —que podem englobar, segundo o IBGE, tanto pessoas de ascendência negra quanto indígena.
O Senado continuará majoritariamente branco no próximo ano: são 57 parlamentares que se autodeclaram brancos, ou 70,4% das 81 cadeiras. Os pardos são 19, ou 23,5%, e os pretos, apenas 3, somando 3,7%.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) se declara indígena. Em 2022, ele havia mudado a autodeclaração para branco, mas depois afirmou ter se tratado de um erro. Já Laércio Oliveira (PP-SE) não informou a raça ou etnia.
Entre as senadoras, a composição é ainda menos diversa. Entre as 18 mulheres que formarão a bancada no próximo ano, somando-se as 12 eleitas às 6 que seguirão o mandato por mais quatro anos, 15 se declaram brancas, chegando a 83,3%. As demais se autodeclaram pardas —não há nenhuma senadora preta, indígena ou amarela.
Fonte: Política - Folha




