Mesmo preso sob acusação de tentativa de golpe de Estado e atualmente inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta transferir seu capital eleitoral neste domingo (4) por meio de uma ampla ofensiva familiar nas urnas, lançando candidatos aos mais diversos cargos.
A disputa pela sucessão e herança política O principal movimento dessa estratégia foi a escolha do primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência da República. Com essa cartada, o ex-presidente acabou frustrando expectativas de aliados que apostavam no governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) como o grande herdeiro do movimento.
Michelle Bolsonaro e a disputa no Distrito Federal Outra aposta central do grupo é a candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado pelo Distrito Federal. Líder nas pesquisas de intenção de voto para o cargo, ela concorre pela primeira vez e é vista como um nome fundamental para perpetuar a influência do bolsonarismo.
Após semanas relatando estar indecisa sobre entrar ou não para a política, a ex-primeira-dama confirmou a candidatura dizendo que a decisão havia sido compartilhada com o marido.
“Ele [Bolsonaro] quer muito [o mandato dela no Senado], é um desejo do coração dele. Eu acho que é natural, pelo nosso trabalho, pelo Brasil, a gente influenciar, incentivar as mulheres de bem a estarem na política”, declarou em junho.
Cunhados e o irmão do ex-presidente na corrida eleitoral A presença da família se estende a parentes por afinidade e consanguinidade. Michelle colocou um de seus irmãos, Diego Torres (PL), como primeiro suplente, além de apoiar a candidatura de outro irmão, Eduardo Torres (PL), que tenta uma vaga de deputado distrital na capital federal.
No mesmo sentido, Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente, concorre a deputado federal por São Paulo utilizando o número 2222. Historicamente, ele teve sucesso apenas no pleito de 1996, quando se elegeu vereador em Praia Grande.
Mudança de domicílio e novos postos para os filhos Outros herdeiros de Bolsonaro também buscam cargos legislativos relevantes. Carlos Bolsonaro (PL) abandonou o reduto eleitoral no Rio de Janeiro para concorrer ao Senado por Santa Catarina, aproveitando o forte apelo conservador do estado. O plano ocorre enquanto a oposição articula forças para tentar conseguir maioria e aprovar o impeachment de ministros do STF.
Seguindo o caminho para o Sul, o “filho 04”, Jair Renan (PL) — eleito vereador em Balneário Camboriú (SC) em 2024 —, agora tenta ascender à Câmara dos Deputados. Durante a campanha, suas faltas na Câmara Municipal viraram alvo de cobranças do vereador Marcelo Achutti (MDB): “Agora, [se] está em campanha eleitoral, faça como os demais. Eu, quando fui candidato, me licenciei e dei lugar ao suplente”, criticou.
Jair Renan respondeu dizendo que precisa faltar “para dar uma força” para o pai. “Só queria explicar por conta da minha falta na quarta-feira. /E quase toda quarta-feira eu devo faltar porque eu tenho que visitar meu pai, hoje preso político, perseguido por todas as instâncias”, justiçou-se.
Ausências e a candidatura da ex-mulher Entre os descendentes diretos, apenas a caçula Laura, de 15 anos, e Eduardo Bolsonaro (PL) — que se autoexilou nos Estados Unidos após planejar concorrer como suplente ao Senado — ficaram de fora da disputa atual.
A lista de aliados de sangue inclui ainda Rogéria Bolsonaro (PL), mãe dos filhos “01, 02 e 03”, que concorre ao posto de deputada federal pelo Rio de Janeiro. Inicialmente, Flávio articulava para que ela fosse suplente de Márcio Canella (União Brasil) na disputa fluminense, mas o plano ruiu após Canella ser preso em flagrante com um fuzil e desistir do pleito.
Fonte: Política - Folha




