Figuras marcantes da trajetória do Partido dos Trabalhadores, com passagens por escândalos políticos como o mensalão e a Operação Lava Jato, retornam à disputa eleitoral em 2026 em busca de cadeiras na Câmara dos Deputados. Embora operem hoje sem o mesmo peso e influência de antigamente na cúpula da legenda, esses nomes buscam se viabilizar nas urnas.
O retorno dos veteranos Ao longo da corrida eleitoral, tanto em manifestações próprias quanto por meio de aliados, figuras como José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e André Vargas fazem referências discretas a “momentos difíceis” do passado. O foco principal dos discursos, no entanto, recai sobre a exaltação ao presidente Lula e a pautas contemporâneas, a exemplo da oposição à escala de trabalho 6 por 1 e a defesa da soberania nacional diante da geopolítica externa.
“Não estou voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT. Quero ajudar o presidente Lula a governar. Dar minha contribuição”, disse o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, 70, durante entrevista à Folha em junho último.
Campanha em Goiás e histórico judicial Concorrendo a deputado federal por Goiás, estado onde atuou como sindicalista e integrou a fundação da CUT, Delúbio adotou o chapéu panamá característico do presidente e busca colar sua imagem à de Lula, apresentando-se como “o amigo do Lula”.
O ex-tesoureiro enfrentou sucessivas turbulências partidárias e judiciais. Expulso do PT em 2005 em razão do escândalo do mensalão, ele foi posteriormente condenado no âmbito da Operação Lava Jato. Após cumprir penas decorrentes de condenações que variaram ao longo dos anos, teve sua sentença da Lava Jato anulada pelo Superior Tribunal de Justiça em 2023.
“Na vida, nem sempre a caminhada é fácil. Mas nem por isso a gente pode parar. A sina de quem tenta construir um futuro melhor para o povo é enfrentar a perseguição das pessoas que não querem essas mudanças. Tentaram nos enterrar com mentiras. Mas quem tem semente de luta, renasce e frutifica”, diz Delúbio, em trecho de um vídeo da campanha.
João Paulo Cunha e Zé Dirceu em São Paulo Outro veterano que tenta retornar ao Parlamento é João Paulo Cunha, 68, candidato por São Paulo. Um dos fundadores do partido em Osasco nos anos 1980, ele exerceu cinco mandatos consecutivos como deputado federal e presidiu a Câmara entre 2003 e 2005. Sua trajetória foi interrompida pelo processo do mensalão, resultando em condenação e prisão na década passada.
“Tem gente que achou que eu tinha parado. Eu segui trabalhando, ouvindo e me preparando para esse momento. Volto com mais experiência, mais disposição e com a mesma convicção de sempre: estar ao lado do povo e ajudar o presidente Lula a fazer o Brasil avançar cada vez mais”, afirma João Paulo em suas redes sociais.
Na mesma linha, Zé Dirceu, 80, também disputa uma vaga de deputado federal por São Paulo. Ex-ministro da Casa Civil e ex-presidente do PT, Dirceu teve o mandato cassado em 2005 e enfrentou prisões tanto no mensalão quanto na Lava Jato, cujas condenações impostas pelo ex-juiz Sergio Moro foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2024. Para impulsionar a candidatura, a campanha exibiu um depoimento em vídeo gravado por Lula.
“Acho que pouca gente sofreu o mal da perseguição como ele sofreu neste país. Chegou um momento em que o Zé Dirceu parecia a última vítima de tudo o que estava errado nesse país. E o Zé Dirceu, com tenacidade, capacidade política e muita coragem, superou tudo isso”, declarou o presidente.
A situação de André Vargas no Paraná No Paraná, o ex-vice-presidente da Câmara André Vargas, 62, concorre após ter seus processos da Lava Jato anulados pelo STF entre 2022 e 2023. Vargas cumpriu pena entre 2015 e 2018 e, após romper com a legenda em 2014, retornou ao partido no início de 2023.
“A Lava Jato nos submeteu a um processo de tortura visando arrancar mentiras sobre o Lula e o PT”, afirmou ele à Folha em 2024.
A campanha de Vargas conta com o apoio de lideranças como a deputada federal Gleisi Hoffmann, que destaca a lealdade e a experiência do candidato junto ao projeto político petista.
Fonte: Política – Folha













