Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Rui Costa critica plano de anistia a Bolsonaro no Senado

Rui Costa critica plano de anistia a Bolsonaro no Senado

As negociações de bastidores para a presidência do Senado Federal geraram reações dentro da base governista. O senador eleito e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT-BA) manifestou contrariedade em relação às articulações que colocam um eventual perdão judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro como moeda de troca pelo comando do Congresso.

Resistência à troca de apoio por alívio judicial

A controvérsia gira em torno da estratégia de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca consolidar apoios para tentar se reeleger presidente da Casa legislativa em 2027. O plano em construção inclui travar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aceitar o debate em torno de anistia ou indulto a Bolsonaro.

Condenado a 27 anos e três meses de reclusão pelo envolvimento na tentativa de golpe de Estado apurada pelo STF, o ex-chefe do Executivo permanece atualmente em prisão domiciliar motivada por questões médicas. Rui Costa ponderou que a definição da liderança do Senado não deveria envolver “intromissão com as penas das pessoas”, referindo-se tanto aos participantes do 8 de Janeiro quanto aos condenados na trama golpista.

Foco nas demandas sociais e afastamento da polarização

Na visão do parlamentar petista, o país precisa superar o conflito ideológico constante e focar em prioridades que atinjam a população diretamente. Costa declarou que a agenda nacional dos próximos anos não pode girar em torno desses temas.

“Eu sou a favor do distensionamento político, que a gente não coloque essa questão da polarização política no centro do governo, nem do Congresso Nacional”, pontuou. “A gente deve tirar da agenda essa centralidade na polarização e, eventualmente, na discussão dos crimes cometidos por qualquer família, inclusive a família Bolsonaro”.

Ao citar o recado deixado pelos eleitores nos últimos pleitos de outubro, o ex-ministro reforçou a necessidade de atender às urgências práticas dos cidadãos, como transporte público e segurança pública. “Essa multidão que foi nas ruas está preocupada com o que é que nós políticos, senadores, deputados, governo executivo, o que é que nós vamos fazer para melhorar a vida cotidiana deles”, ressaltou, defendendo que a classe política precisa “apontar soluções, apontar caminhos” e que “nós devemos falar mais de povo, falar mais da vida das pessoas”.

Diferenças constitucionais entre indulto e anistia

A viabilização dos benefícios pretendidos pela ala bolsonarista exige caminhos institucionais distintos previstos na Constituição Federal. Enquanto a concessão da anistia demanda a aprovação de uma lei pelos deputados e senadores no Congresso Nacional, a prerrogativa de conceder indulto — considerado um perdão judicial da pena — recai exclusivamente sobre a figura do Presidente da República.

Para interlocutores que acompanham o cenário em Brasília, a movimentação de Alcolumbre é motivada pela busca de sobrevivência política, uma vez que selar um entendimento com a bancada e aliados ligados a Jair Bolsonaro teria o poder de alterar expressivamente as chances de sucesso na disputa pelo comando da Mesa Diretora.

Fonte: G1 - Política