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Caderno Mercado

Edinho Silva aponta erros na estratégia de Lula e admite falha de articulação

Edinho Silva aponta erros na estratégia de Lula e admite falha de articulação

O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho Silva (PT-SP), reconheceu nesta terça-feira (13) falhas na organização da disputa presidencial no primeiro turno e afirmou que os entraves foram corrigidos para a etapa derradeira. A declaração ocorre após o próprio Lula classificar a movimentação como a menos organizada desde o pleito de 1989.

Descentralização e problemas logísticos Em entrevista concedida à rádio CBN, o dirigente partidário explicou que houve problemas na articulação entre os estados e na confecção de material publicitário. A estratégia inicial apostou na autonomia regional para ganhar velocidade operativa, mas o formato acabou gerando gargalos estruturais.

“Nós tentamos descentralizar a coordenação da campanha, descentralizar as ações, porque achávamos que essa autonomia dos estados poderia fazer com que nós tivéssemos mais agilidade na resolução dos problemas. É evidente que nós tivemos falhas nessa estrutura”, afirmou.

Apesar das dificuldades iniciais na propaganda impressa e digital, o coordenador garantiu que a equipe superou o entrave. O partido agora aposta na energia da militância para impulsionar a candidatura nas próximas sondagens de intenção de voto.

“Nós estamos com um ambiente de mobilização muito forte. Não temos nenhuma dúvida de que a nossa onda é uma onda de crescimento, as pesquisas em breve vão registrar isso”, disse Edinho.

Diálogo com aliados e frente democrática Outro ponto sensível abordado pelo político foi a interlocução com os partidos e movimentos sociais que integraram a base de apoio no segundo turno de 2022. Para ele, a legenda pecou ao se distanciar desses grupos defensores da democracia ao longo do processo eleitoral.

“Eu acho que a gente tem que reconhecer falhas. Eu acho que nós poderíamos ter dialogado mais com os setores que vieram conosco no segundo turno [de 2022]. Nós temos que retomar esse contato. Nós temos que fazer essa avaliação crítica do nosso lado”, afirmou.

O dirigente também ponderou que a administração federal careceu de um interlocutor específico para manter esse canal aberto permanentemente, avaliando que o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social Sustentável, conhecido como “Conselhão”, cumpriu papel importante, mas não foi suficiente.

“Por mais que o Conselhão tenha trazido esses setores para dentro do governo para dialogar, talvez a gente pudesse ter feito diálogos mais diretos. Nós temos que reconhecer essa falha. Nós temos que retomar essa capacidade de diálogo, porque o que está em jogo no Brasil é muito grande. É o futuro das próximas gerações”, declarou.

Relação institucional e articulação legislativa Diante de um Parlamento de perfil conservador e das barreiras para aprovar reformas estruturantes, o coordenador avaliou que a saída para destravar a pauta governista passa necessariamente pela pressão externa vinda da população.

“É evidente que hoje, no Congresso Nacional, nós não temos maioria. O povo brasileiro sabe disso. Nós temos que construir uma maioria na sociedade, formar opinião pública, ter força política para que a gente faça as mudanças”, disse.

Fonte: G1 - Política