Operação da PF acha dinheiro em adega de policial preso no RJ
A Polícia Federal encontrou valores em espécie escondidos no interior de uma adega pertencente ao inspetor José Carlos Alves de Souza Júnior, um dos alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne realizada nesta quinta-feira (15) no Rio de Janeiro.
Alvos de destaque e esquema bilionário
Além do inspetor, a ação policial resultou na prisão do deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo parlamentar mais votado do estado nas últimas eleições, e do delegado Marcus Amim, que atuava como ex-secretário estadual de Polícia Civil.
De acordo com as investigações da corporação, a organização criminosa utilizava uma rede de postos de combustíveis situada na Região Metropolitana fluminense para operar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, contando com forte articulação política e o envolvimento direto de agentes públicos corrompidos.
Desdobramentos e mandados no estado
As ordens de prisão foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um desdobramento das diligências iniciadas em julho. O grupo é suspeito de ter movimentado a expressiva quantia de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, esquema que veio à tona após relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As equipes cumpriram dezenas de mandados de busca e apreensão em sete municípios diferentes, incluindo a capital, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A Justiça também decretou o bloqueio de bens, valores e a suspensão das atividades de mais de uma centena de empresas ligadas aos suspeitos.
Origem das investigações
Iniciada no final de 2025, a ofensiva policial tinha como objetivo original apurar o vazamento de dados sigilosos de operações direcionadas contra facções criminosas. Com o avanço das apurações e o desdobramento das fases, o foco se expandiu para fraudes em contratos e lavagem de capitais.
Sobre as acusações, o deputado afirmou: “Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido”. Os representantes legais de Marcus Amim informaram que aguardam acesso integral aos autos para se manifestarem, enquanto a reportagem segue tentando contato com a defesa dos demais envolvidos.
Fonte: G1 - Política