A comerciária Jacklline de Oliveira e o professor de educação física Luciano Gonçalves preparam-se para enfrentar um momento decisivo no próximo dia 26 de novembro, quando os policiais militares acusados pela morte de sua única filha, Kathlen Romeu, serão julgados pelo Tribunal do Júri. Grávida de quatro meses, a jovem foi atingida por disparos durante uma ação no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 2021.
A trajetória interrompida e os sonhos da jovem Antes de ter sua vida interrompida aos 24 anos, Kathlen trabalhava com a customização e venda de peças de roupas desde os 15 anos de idade. Ela havia conseguido financiar o seu primeiro apartamento na planta e aguardava a chegada do primeiro filho. A tragédia ocorreu quando ela visitava a avó na mesma comunidade onde havia comemorado seu aniversário recentemente, deixando uma lacuna profunda na rotina da família.
“A gente estava no melhor momento das nossas vidas, e eu fui do céu ao inferno com 40 anos”, conta a mãe. “O Estado mata a gente diariamente há cinco anos e três meses e alguns dias. Não tem um dia que eu não me sinta ganhando um tiro de fuzil”.
O caminho até o banco dos réus Os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano vão a julgamento após um longo processo de mobilização e recursos judiciais. Embora tenham sido inicialmente absolvidos da acusação de fraude processual na Justiça Militar, a promotoria recorreu e obteve a condenação na 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Atualmente, os agentes respondem ao processo em liberdade e encontram-se afastados de suas funções na corporação.
A família relata que a denúncia criminal contra os policiais só avançou após intensa pressão pública e cobranças direcionadas ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Estatísticas de órgãos de segurança apontam que a letalidade policial no estado permanece em patamares elevados, com centenas de mortes anuais decorrentes de intervenções de agentes de segurança, o que impulsiona o ativismo de familiares de vítimas por reparação e justiça.
O apelo pela mobilização da sociedade À espera da decisão judicial, os pais de Kathlen reforçam a necessidade de engajamento contínuo da população contra a violência e em favor de políticas públicas que preservem vidas nas comunidades fluminenses.
“Eu entrarei naquele tribunal com a esperança de que a sociedade civil, aquela que chorou comigo, que teve solidariedade, que se indignou em 8 de junho de 2021, seja a mesma aqui, no dia 26 de novembro de 2026, que continue com a gente”, frisou a mãe de Kathlen.
“Se esses policiais não forem punidos, não forem condenados, a sociedade civil também estará matando Kathlen Romeu e o seu bebê”, afirmou ela.
Fonte: Agencia Brasil



