Governo barra registros de imóveis ligados a Willer Tomaz em Angra
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) determinou a suspensão dos registros de quatro imóveis vinculados ao advogado Willer Tomaz na Ilha Comprida, situada em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. A decisão atinge diretamente a propriedade que virou alvo de uma disputa pública com o jogador de futebol Richarlison.
Motivações da suspensão pelo governo federal
A ordem da SPU atende a uma representação administrativa apresentada pela deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP). Segundo o órgão federal, “a suspensão temporária visa restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas”. A investigação aponta falhas na autorização concedida ao advogado, incluindo um processo de liberação que tramitou em menos de duas horas no dia 11 de julho de 2022, sem checar as obrigações do ocupante.
O conflito envolvendo o atacante Richarlison
O embate pela posse da mansão começou em 2020, quando o atleta investiu R$ 10 milhões no local por meio de uma empresa. O conflito ganhou repercussão nacional nas eleições, quando o jogador acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — investigado no Supremo Tribunal Federal junto com Willer Tomaz por suspeitas de lavagem de dinheiro — de tentar intermediar a aquisição devido à amizade com o advogado.
Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento na controvérsia, apesar de ter visitado a mansão e figurado como testemunha na ação judicial. Por sua vez, Willer Tomaz defende que sua empresa adquiriu legalmente os direitos sobre a ilha e alega que o atacante negociou com posseiros sem legitimidade, acumulando derrotas judiciais na disputa, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Outras propriedades e contexto político
Além da mansão disputada, levantamentos cartorários e registros da SPU mostram que o advogado possui outras cinco residências em ilhas da Costa Verde fluminense. Quase todas foram adquiridas entre 2021 e 2022, período coincidente com a tramitação de propostas legislativas no Senado ligadas à municipalização de áreas de conservação e à privatização de ilhas marítimas, temas que ganharam força desde a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: G1 - Política