Flávio Bolsonaro aposta em vitória, mas freia aliados após falha sobre Bolsa Família
A menos de uma semana do segundo turno, a cúpula da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adota um tom de cautela extrema para blindar a vantagem nas urnas contra adversários políticos. Embora o ambiente interno seja de forte confiança na vitória, a ordem é evitar qualquer deslize capaz de gerar instabilidade na reta decisiva da disputa presidencial pelo Partido Liberal (PL).
O impacto das declarações sobre o programa social
O sinal de alerta foi acionado após uma repercussão negativa envolvendo a equipe econômica da candidatura. Em entrevista recente à rádio CBN Bahia, a coordenadora econômica Daniella Marques mencionou a criação de um mecanismo de transição de dois anos para beneficiários que conquistassem um emprego formal ou empreenderam, garantindo o retorno imediato ao programa caso o negócio não prosperasse.
A fala abriu brecha para que o QG do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplificasse críticas, acusando a chapa opositora de planejar modificações na assistência social, em contraste com o discurso público do candidato do PL. A repercussão ocorre justamente em um cenário em que a gestão federal decidiu antecipar o repasse de outubro, que inclui um acréscimo de 15% para grande parte dos inscritos, concentrando os pagamentos para antes do pleito de 25 de outubro.
Reações das campanhas rivais
Interlocutores da candidatura liberal ponderam que a ideia apresentada por Daniella Marques não difere radicalmente do modelo já existente de proteção para quem eleva a renda familiar. No entanto, admitem que o momento exige cautela redobrada para não fornecer material político aos concorrentes em uma disputa considerada extremamente apertada.
“Estamos à frente do Lula, com dois a três pontos de diferença no mínimo, então não podemos colocar em risco essa vantagem nos últimos dias”, diz um integrante do comando da campanha do senador do PL.
A visão do campo governista
Do outro lado, a equipe do candidato petista mantém um sentimento de vigilância, avaliando que o cenário permanece indefinido e sujeito a reviravoltas até o encerramento da votação no próximo domingo.
“Conseguimos empatar, mas precisamos ultrapassar, e sabemos que tudo vai depender dos últimos dias de campanha”, diz um integrante da campanha do petista.
Apesar da apreensão com o equilíbrio das pesquisas, a avaliação geral é de que a militância retomou o fôlego e o engajamento necessários para buscar a virada. “Saímos de um clima de derrota no primeiro turno para um ambiente de que temos condições de ganhar no segundo turno”, completa o aliado de Lula.
Fonte: G1 - Política