Flávio Bolsonaro lidera eleições e acumula investigações na PF
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como o principal representante do bolsonarismo na corrida presidencial de 2026, liderando o primeiro turno à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Primogênito de Jair Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe —, o candidato de 45 anos tenta se consolidar como herdeiro político da família enquanto lida com investigações da Polícia Federal (PF) por suspeitas de corrupção.
Escolha e atritos na família Bolsonaro A definição de Flávio como candidato do Partido Liberal passou por uma imposição direta de Jair Bolsonaro no final de 2025, o que gerou forte resistência e disputas internas.
A escolha resultou em um rompimento público, evidenciado por um vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatou ter sido humilhada pelo enteado e afirmou que ambos não se falavam desde o final de 2025. Embora tenha saído candidata ao senador pelo Distrito Federal, Michelle evitou participar ativamente da campanha de Flávio.
O caso do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro Menos de seis meses após o lançamento da pré-candidatura, reportagens revelaram que o parlamentar negociou R$ 130 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para investir no filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai. Documentos apontam que o banqueiro repassou R$ 61 milhões por meio de fundos no exterior e empresas ligadas a aliados.
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. […] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”, declarou o senador em áudio revelado pelas apurações.
Após sucessivas contradições sobre o caso, que envolveram negativas iniciais, contratos de sigilo e viagens em aeronaves compartilhadas, o candidato defendeu a criação de uma CPI do Master e justificou os encontros com o banqueiro.
“Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”, afirmou.
Investigações da Polícia Federal e o escândalo da rachadinha A PF também identificou que o político foi cadastrado como “usuário master” na conta bancária de uma empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, alvo de apurações por lavagem de dinheiro. Além disso, investiga-se uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil destinada a um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado pelo STF pelo assassinato de Marielle Franco.
No passado, o senador foi alvo de denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro no esquema conhecido como “rachadinha”, acusado de chefiar uma organização criminosa que recolhia parte dos salários de assessores na Alerj entre 2007 e 2018. A denúncia, contudo, não chegou a ser julgada no mérito, pois tribunais superiores anularam provas centrais do processo.
Fonte: G1 - Política