TSE não acha fake news em canal ligada a Lula mas vê risco eleitoral
A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral concluiu que não há publicações com informações consideradas falsas pela Corte no canal do WhatsApp “Exército do Lula”, embora tenha identificado alertas importantes para o pleito.
“Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, diz o relatório.
O canal, que ultrapassa a marca de 3 milhões de seguidores, é administrado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG) com a finalidade de distribuir materiais de campanha para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Riscos e propagação em massa
Apesar de o levantamento afastar, inicialmente, a presença de inverdades já julgadas pelo tribunal, o chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Frederico Alvim, demonstrou apreensão com o envio em grande escala de textos logo antes do segundo turno.
Entre os principais perigos listados pelos analistas estão o forte alcance das postagens, a estratégia articulada para engajar a militância e o tom adotado nos textos.
“Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, afirma.
O documento aponta ainda que publicações feitas em setembro começaram a ser apagadas a partir de 7 de outubro, fator que prejudicou o resgate completo do histórico e a verificação do que foi compartilhado na época.
Batalha jurídica e decisões
A verificação foi solicitada pelo presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, após uma controvérsia envolvendo mandados judiciais que quase derrubaram a ferramenta de comunicação.
No domingo (11), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a medida imposta por Nunes Marques e permitiu o retorno das atividades do canal de mensagens, em caráter provisório até análise do plenário.
A investida judicial teve início por iniciativa da coligação do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, que acusou o espaço de propagar boatos.
Repercussão entre os candidatos
A movimentação da Justiça gerou fortes críticas dos dois lados envolvidos na disputa pelo Palácio do Planalto. O presidente Lula classificou a ordem anterior de restrição como descabida e sinalizou que sua equipe jurídica cobraria esclarecimentos.
“Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, disse Lula a jornalistas antes de participar de um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro sustentou que sua campanha sofre ataques frequentes com inverdades disseminadas por seus opositores.
Fonte: G1 - Política