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Caderno Mercado

El Tigre vira o epicentro da retomada do petróleo na Venezuela

El Tigre vira o epicentro da retomada do petróleo na Venezuela

A cidade de El Tigre, situada a mais de seis horas de carro de Caracas, transformou-se no centro nevrálgico do ressurgimento da indústria petroleira na Venezuela. O município, localizado nas proximidades da Faixa do Orinoco, tem atraído jatos particulares, novas empresas de suprimentos e trabalhadores que retornam do exterior, gerando escassez em imóveis comerciais e alta de 33% nos aluguéis de sobrados desde o início do ano.

O avanço na região ocorre antes mesmo da extração de novos barris, impulsionado por mudanças na legislação sob a gestão da presidente interina Delcy Rodríguez, que facilitou a entrada de capital privado e reduziu impostos. Companhias estrangeiras trazem maquinários, ambulâncias e equipes especializadas para inspecionar campos, enquanto hotéis locais registram saltos expressivos na taxa de ocupação.

Impacto nos aluguéis e no mercado imobiliário

A movimentação aqueceu o setor imobiliário de forma expressiva. Em San Tomé, subúrbio voltado para profissionais estrangeiros, o aluguel mensal de sobrados saltou de cerca de US$ 1.500 para até US$ 4.500, representando uma alta de 200%. Na vizinha Puerto La Cruz, os preços pedidos por residências também registraram forte valorização.

“As empresas estão se posicionando”, disse Morales. “Mas começaremos a ver os resultados em 2028.”

Desafios estruturais e ceticismo local

Apesar do otimismo corporativo com planos de investimentos bilionários nos próximos anos, a população local convive com problemas estruturais graves. Falta de água encanada regular, instabilidade na rede elétrica e esgoto a céu aberto continuam afetando o cotidiano de quem vive em El Tigre.

“Não vejo mudança alguma. O dinheiro não está circulando pelas ruas”, disse Remo Di Marcantonio, proprietário de uma loja de ferragens local. “Há um pouco mais de movimento, sem dúvida, mas nem de longe tanto quanto há 20 anos.”

Com a produção nacional ainda longe dos picos históricos das décadas passadas e operando em cerca de 1,2 milhão de barris diários, parte dos profissionais do setor adota uma postura de cautela frente às incertezas econômicas e operacionais do país.

Fonte: Folha - Mercado