Indústria critica fim da escala 6×1 e aponta risco de inflação
Empresários do setor industrial manifestaram forte oposição à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o modelo de trabalho 6×1 pelo Senado logo após a votação realizada nesta quarta-feira (14), classificando a mudança como um retrocesso econômico para o país.
Impactos na economia e no setor produtivo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou o avanço da proposta como um motivo de preocupação, projetando consequências negativas como retração econômica, desemprego, escalada inflacionária e repasse de despesas ao consumidor final.
“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, declarou em nota Ricardo Alban, dirigente máximo da CNI.
A confederação estuda alternativas junto ao setor produtivo e conta com o apoio de parlamentares aliados para revisar o texto futuramente.
“Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, pontuou Alban.
Críticas de federações estaduais
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), liderada por Paulo Skaf, destacou que modificações estruturais trabalhistas demandam discussões amplas e desvinculadas de cronogramas eleitorais.
Em comunicado oficial, a instituição alertou para reflexos imprevisíveis em áreas vitais como saúde, educação, transportes, comércio varejista e o setor químico, além de citar o crescimento da informalidade e o encarecimento de despesas cotidianas, a exemplo do “boleto do condomínio”.
“É importante relembrar que nenhum país no mundo engessou a escala de trabalho na sua Constituição. Decisões açodadas têm um preço alto. E, infelizmente, essa conta será paga por toda a sociedade”, advertiu Skaf.
Em Minas Gerais, a Fiemg também reprovou a medida, enfatizando que a alteração gera insegurança jurídica e eleva os gastos operacionais.
“Não podemos tomar uma decisão dessa magnitude ignorando seus efeitos sobre emprego, renda e crescimento do país”, sustentou Flávio Roscoe, presidente da federação mineira.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) adotou tom semelhante, ressaltando que a adaptação das normas trabalhistas precisa preservar a viabilidade dos negócios e a segurança jurídica.
“A construção de soluções equilibradas, que respeitiem as especificidades dos diferentes setores, será fundamental para assegurar a manutenção dos empregos e o desenvolvimento econômico e social do país”, destacou a nota da entidade fluminense.
Defesa da nova jornada de trabalho
Em contrapartida, o Sebrae, alinhado à gestão federal, enxerga o fim do regime 6×1 como um marco positivo para os cidadãos e favorável aos micro e pequenos empreendimentos.
“Várias atividades devem ser beneficiadas diretamente com o tempo mais livre destas pessoas, que poderão investir mais nas áreas de lazer, turismo, bares e restaurantes, por exemplo. Na medida em que você estabelece ao ser humano uma condição menos agressiva naquilo que é a exigência do processo produtivo com a sua jornada de trabalho, naturalmente você vai trazer um ambiente muito mais humanizado”, ponderou Décio Lima, presidente do Sebrae.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) reforçou o coro em favor da mudança, argumentando que a diminuição da carga horária sem cortes salariais é imprescindível para combater a exploração da mão de obra.
“Garantir o fim da escala 6×1 é garantir dignidade, saúde, convivência familiar, tempo livre, cultura e lazer para a classe trabalhadora. É reconhecer e reparar problemas estruturais acumulados pela ganância capitalista, permitindo que a inovação e os avanços tecnológicos sirvam ao bem-estar social, e não apenas à acumulação privada.”
Fonte: Folha - Mercado