Vinícola Garibaldi mira R$ 350 milhões com novos rótulos de uvas exóticas
Com a meta de ampliar o faturamento em 15% até 2026 e alcançar a marca de R$ 350 milhões, a Cooperativa Vinícola Garibaldi, situada no Rio Grande do Sul, tem apostado fortemente no desenvolvimento e na comercialização de vinhos elaborados com uvas exóticas. De acordo com a empresa, essa estratégia reflete uma mudança no comportamento do consumidor pós-pandemia da Covid-19, período em que o público passou a demonstrar maior interesse por bebidas inovadoras e fora do convencional.
Estratégias para diversificação de mercado A busca por novos sabores surge como uma alternativa essencial para enfrentar a forte concorrência interna, que disputa a mesma base de clientes há anos, além de prevenir os impactos de uma possível invasão de rótulos europeus, com destaque para os produtos de Portugal.
Atualmente, o mercado nacional apresenta estabilidade nos volumes de consumo: são cerca de 250 milhões de garrafas de vinho de mesa, 160 milhões de vinho fino importado, 22 milhões do fino nacional e 32 milhões de espumantes. Como o tamanho total do mercado permanece estagnado, as marcas precisam disputar espaço umas das outras. Nesse cenário, os produtores portugueses encontram facilidade para expandir sua presença no Brasil, impulsionados por subsídios como créditos agrários, menor carga tributária, alta produtividade e custos reduzidos.
Desafios climáticos e inovação agrícola Além da pressão comercial, a busca por alternativas produtivas se tornou indispensável para mitigar os riscos causados pelas mudanças climáticas, fator que ameaça diretamente o cultivo e a colheita dos vinhedos no país.
Como resposta a esse panorama, a instituição lançou a linha In Veritas, que traz bebidas produzidas com uvas originárias da Chéquia e da Hungria. A projeção para 2027 é a introdução de uma nova linha desenvolvida a partir de mudas trazidas da Romênia. Paralelamente, agrônomos conduzem estudos com castas alemãs conhecidas como Piwi, reconhecidas pela maior resistência a intempéries climáticas.
O desenvolvimento tecnológico no setor vinícola exige paciência e planejamento a longo prazo. O ciclo da videira demanda quatro anos até a primeira colheita, enquanto o processo completo, desde o plantio até a chegada do novo produto ao mercado, pode levar até cinco anos. O fluxo envolve a importação das mudas, o cultivo experimental realizado por um cooperado e, posteriormente, a preparação dos lotes em larga escala pela vinícola.
Desempenho financeiro e destaque dos espumantes Do total projetado de R$ 350 milhões, a expectativa é que R$ 170 milhões venham exclusivamente da comercialização de espumantes. O bom desempenho comercial é impulsionado pela linha Vero, considerada de entrada e comercializada a um preço acessível de R$ 28,90 a garrafa, além da excelente recepção dos espumantes sem álcool. O sucesso dessa última categoria superou as expectativas iniciais da gestão, que produziu 5.000 caixas inicialmente e precisou duplicar o volume de fabricação para suprir o interesse dos consumidores.
Atualmente, a Cooperativa Vinícola Garibaldi integra o trabalho de 470 associados e pequenos produtores da agricultura familiar, distribuídos por 18 municípios do estado gaúcho.
Fonte: Folha - Mercado