Flávio Bolsonaro lança site anti-fake news e omite ganho real no mínimo
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) colocou no ar uma página na internet voltada para combater notícias falsas. No espaço, a campanha não assume compromisso com o aumento real do piso salarial nacional, limitando-se a garantir apenas o reajuste pela inflação caso o candidato vença o pleito.
A dinâmica salarial Atualmente, a regra que assegura a correção do salário mínimo acima da inflação está em vigor, tendo sido retomada pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023. Especialistas em economia apontam ressalvas a essa diretriz, visto que o piso serve de base para o cálculo de benefícios sociais e previdenciários, gerando impacto direto nas contas públicas.
O debate sobre o piso ganhou força na disputa eleitoral atual. Enquanto Lula acusa o adversário de planejar o corte de ações sociais para viabilizar um ajuste fiscal, a equipe de Flávio rejeita a ideia de que o saneamento das contas ocorra à custa das parcelas mais carentes da população, embora assessores admitam a urgência de conter despesas estatais.
O posicionamento oficial da campanha No portal recém-inaugurado, a equipe do candidato aborda o tema do piso nacional declarando que “o Plano de Governo de Flávio não apresenta nenhuma proposta para extinguir o piso nacional. Além disso, ele já afirmou que não pretende desvincular o salário mínimo da inflação”. A plataforma não traz nenhuma menção à continuidade de ganhos acima da inflação oficial.
Em relação à escala 6×1, que prevê seis dias de labor com um de descanso, a campanha utiliza a proposta de flexibilização da jornada — desenhada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da chapa — para contrapor o fim do modelo atual.
Conforme divulgado no portal, “o que Flávio defende é a remuneração por hora trabalhada, com a manutenção de todos os direitos trabalhistas conquistados, como FGTS, férias e 13º salário. A proposta de flexibilizar a jornada de trabalho não significa acabar com o salário mínimo”.
Histórico e regras atuais Durante os quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro, o piso nacional recebeu correções restritas à inflação, sem nenhum ganho real para os trabalhadores.
A metodologia institucionalizada no segundo mandato de Lula atualiza o valor com base na inflação do período anterior medida pelo INPC, somada ao índice de crescimento positivo do PIB. No mandato vigente, o governo federal aprovou um limite que restringe a alta do piso a 2,5% acima da inflação, mesmo teto estipulado para a expansão de despesas pelo arcabouço fiscal.
Programas assistenciais e Previdência Em postagem realizada na última quinta-feira (8), a página digital da candidatura assegura que “o Bolsa Família e todos os programas assistenciais serão mantidos” e reitera que “não fará economia em cima dos mais pobres e dos aposentados”.
Estudos em andamento avaliam encerrar a vinculação entre o ganho real do piso e as correções da Previdência Social e do BPC (Benefício de Pretensão Continuada), como estratégia para alcançar a meta de corte de 2% do PIB. Após a repercussão do tema, o postulante ao Planalto declarou que pretende elevar as aposentadorias em patamares superiores à inflação.
Indagações sobre o BPC e o programa Pé-de-Meia Questionado no site se “Flávio Bolsonaro vai cortar benefícios como o BPC?”, o texto omite alterações na política de valorização e garante apenas a continuidade dos programas sociais.
O material esclarece que “o Plano de Governo de Flávio afirma expressamente que os programas sociais existentes serão mantidos, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes. Ou seja, o governo Flávio Bolsonaro vai atender quem precisa”.
Defesa idêntica é adotada no caso do programa Pé-de-Meia. A equipe sustenta que suposições de encerramento do projeto derivam de interpretações errôneas sobre a promessa de redução de gastos e sobre a medida conhecida como “Tesouraço”, reforçando a ausência de planos para extinguir a iniciativa.
Controvérsias envolvendo o BRB O portal virtual também abriu espaço para abordar a crise em torno do Banco Master e do BRB (Banco de Brasília), embora evite citar os diálogos entre o candidato e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Master, ou os repasses financeiros destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro.
A defesa do candidato frisa que recursos de aposentados não serão utilizados para cobrir déficits do Master, enfatizando que o presidente da República “não tem qualquer ingerência sobre o BRB”.
O texto oficial reforça: “Sobre o BRB, o presidente da República não tem qualquer ingerência sobre o banco regional e vai trabalhar para que as instituições financeiras brasileiras permaneçam entre as mais fortes e confiáveis do mundo, entre elas, o BRB”.
A posição da gestão federal diverge da articulação feita pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), aliada de Flávio, que busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União para estancar os problemas financeiros do banco distrital. O presidente Lula já descartou o uso de verbas federais para salvar a instituição financeira.
Fonte: Folha - Mercado