Dólar abre em queda com eleição e inflação acima do esperado
O dólar abriu em queda, cotado a R$ 5,002, com os investidores repercutindo as expectativas em torno do segundo turno das eleições presidenciais e os mais recentes dados macroeconômicos do país. No cenário internacional, o índice DXY registrava alta de 0,18%.
Inflação surpreende o mercado A divulgação do IPCA pelo IBGE mostrou alta de 0,82% em setembro, superando a projeção mediana do mercado financeiro de 0,76%. O resultado representa o maior avanço para o mês de setembro em cinco anos.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o Ibovespa deve começar o dia, assim, dividido entre o impulso eleitoral e a pressão de um IPCA acima do esperado.
Impacto nos juros e na economia O especialista aponta que o índice inflacionário pode restringir o apetite por risco e limitar o espaço para cortes na taxa Selic. A cautela dos investidores também é intensificada pela proximidade do feriado que fechará a B3.
Tensões internacionais e petróleo No exterior, os preços do petróleo subiram impulsionados por crescentes preocupações geopolíticas no Oriente Médio, enquanto analistas avaliam os reflexos econômicos globais.
“Temos aqueles encadeamentos tradicionais: isso acaba fortalecendo o dólar, enfraquecendo o ouro e impactando alguns setores específicos. O setor imobiliário, por exemplo, acaba sofrendo, enquanto os bancos também têm apresentado uma performance mais fraca, diante da preocupação com a concessão de crédito em um ambiente de juros elevados”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Expectativas para o cenário fiscal Enquanto isso, o mercado segue acompanhando as discussões sobre o plano econômico e as propostas de ajuste fiscal associadas à disputa presidencial.
“Na minha visão, esse é o principal driver para destravar valor no Ibovespa. Como o mercado está muito atento às medidas fiscais a serem tomadas em 2027, essa notícia fez com que o mercado se animasse”, afirma Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
O desenrolar das negociações políticas e os próximos indicadores econômicos continuarão ditando o ritmo dos negócios na Bolsa e no câmbio nas próximas sessões.
Fonte: Folha - Mercado