Trump cobra Noruega por Nobel da Paz e critica premiação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou abertamente a Noruega por não contemplar os americanos com o Prêmio Nobel da Paz. Durante um comício realizado em Syracuse, no estado de Nova York, o líder norte-americano argumentou que seu governo deveria ter sido agraciado com oito troféus, correspondentes aos conflitos globais que afirma ter solucionado.
Contexto dos conflitos e o comitê norueguês As declarações do mandatário ocorrem em meio a sua insistência de que merece a honraria internacional. Especialistas e autoridades estrangeiras contestam a afirmação de que ele encerrou oito guerras ao redor do mundo.
Além disso, o republicano demonstrou desconhecimento sobre a independência da instituição ao culpar a Noruega pela decisão, visto que os membros do comitê responsável pelo prêmio não possuem qualquer ligação oficial com o governo norueguês.
Acusações e críticas aos organizadores O chefe da Casa Branca foi além ao afirmar que a ausência da comenda aos Estados Unidos reflete uma postura desleal de nações estrangeiras. Na visão do político, a premiação perdeu o prestígio por estar nas mãos de grupos específicos.
“O fato de vocês não terem dado o Prêmio Nobel da Paz aos Estados Unidos da América é apenas mais um sinal de como a Noruega e todos esses outros estão passando a perna no nosso país”, declarou.
Para o republicano, o comitê atual é formado por pessoas que classificou como “ideólogos radicais” contrários à democracia e “inimigos da civilização”.
A vencedora do Nobel da Paz 2026 A edição de 2026 da honraria contemplou a jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, reconhecida por sua trajetória na defesa da justiça internacional e do Estado de Direito. A trajetória da magistrada inclui a atuação no julgamento do genocídio em Ruanda, a chefia do departamento de direitos humanos da ONU e a liderança do comitê da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.
Sanções e recado institucional Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Norueguês do Nobel, declarou que a escolha de Pillay representa “uma mensagem àqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional”. A declaração foi interpretada como um recado direto a Trump, crítico contumaz de órgãos multilaterais como o Tribunal Penal Internacional (TPI), corte da qual a própria sul-africana integrou nos anos 2000.
Horas depois de a jurista ser anunciada como vencedora, a administração de Trump confirmou a imposição de novas sanções contra o TPI. Surpresa com a honraria, Pillay brincou ironicamente sobre a possibilidade de dividir o Nobel da Paz com o presidente norte-americano.
Fonte: Mundo