Texas desafia poderio de Trump e ameaça maioria republicana
O Texas, conhecido historicamente como um reduto sólido do Partido Republicano, transformou-se em uma grande dor de cabeça para a legenda nas eleições de novembro. Essa reviravolta obrigou o presidente dos EUA, Donald Trump, a viajar para o estado três vezes no último mês com a missão de salvar a campanha do candidato ao Senado, Ken Paxton.
Disputa acirrada pelo Senado De acordo com uma pesquisa recente divulgada pelo New York Times, o opositor James Talarico está com uma vantagem de 7 pontos percentuais. Com isso, ele apresenta chances reais de se tornar o primeiro senador democrata a vencer no estado desde o ano de 1988.
Manutenção do controle legislativo Para os republicanos, reverter esse cenário é uma tarefa difícil, mas fundamental para assegurar a maioria no Senado. No entanto, o próprio presidente parece cético quanto ao sucesso de Paxton, a quem rotula simultaneamente como o maior procurador-geral dos EUA e “um pé no saco”. Durante a convenção republicana em Dallas, o presidente chegou a alfinetar o aliado: “Algumas pessoas podem não gostar do jeito que ele se veste. Eu não gosto”. Por sua vez, em um áudio vazado, o candidato apontou outros fatores para a crise: “É a guerra, são os preços da gasolina, é o diesel.”
Apostas arriscadas nas primárias O respaldo a Paxton pode gerar consequências políticas negativas para Trump, embora ele afirme não ter arrependimentos sobre a escolha feita para derrotar o atual senador John Cornyn. Cornyn perdeu prestígio político após condenar a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump e se posicionar contra sua candidatura em 2024.
Em vez de Cornyn, o presidente optou por impulsionar Paxton, figura alinhada ao movimento MAGA e que acumulou controvérsias judiciais, incluindo acusações de fraude de valores imobiliários, problemas conjugais e um processo de impeachment no parlamento estadual, do qual acabou absolvido pelo Senado local.
Distanciamento estratégico Diante da taxa de popularidade do presidente, que atualmente oscila em torno de 34%, diversos postulantes republicanos estão optando por se afastar da imagem presidencial na reta final da corrida eleitoral marcada para o dia 3 de novembro.
Um reflexo dessa estratégia é a postura do governador texano, Greg Abbott. Tradicional aliado de Trump, ele enfrenta um cenário adverso pela reeleição e optou por faltar ao comício presidencial realizado em uma quarta-feira (7), justificando conflitos de agenda. Levantamentos do Real Clear Politics indicam que Abbott possui margem de apenas 1.7 ponto frente à adversária democrata, Gina Hinojosa. Enquanto isso, comícios e apelos nas redes sociais continuam sendo ferramentas usadas por Trump para tentar reverter o quadro adverso.
Fonte: Mundo