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Caderno Mercado

Cortes de Trump no Medicaid tiram seguro de saúde de refugiados

Cortes de Trump no Medicaid tiram seguro de saúde de refugiados

Novas diretrizes implementadas pela gestão do presidente Donald Trump retiraram o acesso ao Medicaid de milhares de imigrantes em situação regular nos Estados Unidos. A medida, que entrou em vigor em 1º de outubro, atinge diretamente pessoas de baixa renda que dependem da assistência pública para cobrir despesas com consultas, remédios e procedimentos médicos de rotina.

Impacto em famílias vulneráveis

Entre as pessoas afetadas estão refugiados, requerentes de asilo e sobreviventes de violência doméstica e tráfico humano. De acordo com projeções da organização KFF, mais de 281 mil imigrantes em nove estados e no Distrito de Columbia devem perder o benefício. Apenas no Arizona, 29 mil indivíduos foram excluídos no início do mês, enquanto na Flórida a projeção aponta para cerca de 177 mil casos semelhantes.

O drama é vivido por famílias como a de María Chacon, residente em Tucson, no Arizona. Ela relata incerteza sobre como arcar com o tratamento do filho Jesus, que sofreu um grave acidente de trânsito aos 17 anos e hoje depende de ventilação mecânica, alimentação enteral e vigilância contínua. Os remédios essenciais chegam a custar US$ 7 mil mensais, e a cobertura anterior de US$ 25 mil mensais pelo Medicaid foi cancelada.

Diante da situação, María relatou o drama enfrentado pela família: “Desde aquele dia, não consigo dormir. Não conseguimos comer. Ficamos nos perguntando o que vamos fazer”, afirmou à Associated Press.

Regras rígidas e projeção de perdas futuras

As alterações fazem parte de uma reforma sancionada em julho de 2025, que impõe cortes bilionários e novas exigências no programa financiado de forma conjunta por estados e governo federal. O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estima que as modificações gerais possam deixar cerca de 7,5 milhões de pessoas sem seguro até 2034, englobando cidadãos norte-americanos e estrangeiros.

Com as novas restrições, grupos como refugiados sem o green card perderam a elegibilidade federal imediata. Por outro lado, a Casa Branca defende a medida. A porta-voz Lauren Bis argumenta que os imigrantes precisam ter autonomia financeira sem depender da assistência financiada por contribuintes locais. Na mesma linha, Steven Camarota, do Center for Immigration Studies, apoya critérios mais severos atrelados à renda e escolaridade.

Riscos para o sistema de saúde

Especialistas e defensores de direitos civis alertam que a retirada da cobertura pode sobrecarregar hospitais e gerar atendimentos de emergência mais caros. Sem acompanhamento preventivo, pacientes tendem a buscar ajuda apenas quando o quadro clínico se agrava.

Sobre a capacidade de suporte das entidades filantrópicas, Carmen Feliciano, vice-presidente de políticas e defesa da UnidosUS, pontua as limitações do setor: “Não teremos capacidade para atender a todas as pessoas que precisam”, afirmou.

Fonte: Mundo