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Caderno Mercado

Protesto em Madri reúne 20 mil pessoas após morte de idosa despejada

Protesto em Madri reúne 20 mil pessoas após morte de idosa despejada

Um protesto reuniu cerca de 20 mil pessoas nesta quinta-feira (8) nas ruas de Madri para prestar homenagem a Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos que morreu após perder sua moradia. A mobilização transformou a tragédia pessoal em um símbolo nacional contra a especulação imobiliária e a alta nos custos de habitação no país europeu.

Trajetória e despejo

O ato foi organizado pelo Sindicato de Inquilinos e teve início às 20h na Puerta del Sol, ponto central da capital onde ativistas já permaneciam acampados há dias. Durante todo o dia, cidadãos deixaram flores, velas e recados em memória da aposentada. Em seguida, a multidão caminhou em direção à rua Sainz de Baranda, endereço onde Maricarmen residia desde os 17 anos.

A idosa havia sido retirada compulsoriamente do imóvel em 23 de setembro. A ação ocorreu depois que a imobiliária Urbagestión adquiriu o edifício e elevou o valor do aluguel para € 2.650 mensais — uma quantia inviável para a moradora, que sobrevivia com uma aposentadoria de aproximadamente € 1.350.

Homenagens e repercussão

Conforme relataram os organizadores, o processo de despejo provocou um desgaste físico e emocional severo na idosa, que precisou ser internada no Hospital Gregorio Marañón e faleceu na última quarta-feira (7), apenas duas semanas após deixar a residência.

Durante o trajeto da marcha, ao passarem pela praça de Cibeles, onde fica localizada a sede da Prefeitura de Madri, os manifestantes realizaram um minuto de silêncio. A multidão também prestou solidariedade a Olga, outra mulher que faleceu recentemente em circunstâncias semelhantes após ser retirada de sua casa em L’Hospitalet, na região metropolitana de Barcelona.

Entre os materiais levados pelos participantes, cartazes exibiam frases como “O rentismo mata” e “Maricarmen somos todas”. Uma coroa de flores e uma faixa com apelos pela preservação do direito à habitação foram deixadas no local.

Escala nacional e próximos passos

A mobilização na capital espanhola integrou uma onda de protestos simultâneos ocorridos nesta quinta-feira em diferentes regiões do território espanhol. Cidades como Barcelona, Valência, Zaragoza e Sevilha registraram vigílias e concentrações lideradas por coletivos em defesa de reformas estruturais nas políticas habitacionais.

Diante da gravidade da crise, o Sindicato de Inquilinos intensificou as pressões políticas e convocou uma greve geral para o dia 11 de novembro, além de passar a defender publicamente o adiantamento das eleições gerais na Espanha.

Fonte: Mundo