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Caderno Mercado

Presidente da Fifa pede desculpas por projeto secreto na entidade

Presidente da Fifa pede desculpas por projeto secreto na entidade

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou nesta quinta-feira (15) que pediu desculpas aos membros do Conselho Executivo da entidade pela forma como conduziu seu projeto fracassado de abrir a Copa do Mundo a investidores privados — um mea-culpa insuficiente para seus críticos. O dirigente ítalo-suíço se pronunciou pela primeira vez diante dos membros do Conselho desde o escândalo que quase lhe custou o cargo. A revelação pela imprensa, no início de agosto, de seu projeto secreto desencadeou uma onda de críticas sem precedentes; desde então, a Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática pedem sua renúncia.

A retratação e as justificativas

Em um vídeo divulgado no site da Fifa logo após a reunião realizada em Zurique, o dirigente se manifestou sobre o caso. “Em primeiro lugar, quero dizer que pedimos desculpas pelos erros cometidos na condução e na comunicação” deste projeto, “que tiveram inúmeras consequências”, declarou Infantino.

“Tivemos um debate construtivo”, avaliou, acrescentando que tratava-se apenas de uma proposta inicial. “É importante lembrar que se tratava de uma proposta, e não de uma decisão definitiva. Essa proposta pretendia simplesmente permitir que a Fifa investisse mais em suas associações-membro, em vez de substituir os recursos existentes”, justificou, prometendo responder por escrito aos questionamentos.

Rejeição e críticas dos opositores

As explicações não convenceram lideranças do futebol europeu. “O decepcionante é que não obtivemos nenhuma resposta às nossas solicitações específicas”, lamentou Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol e vice-presidente da Fifa, ao deixar a reunião do Conselho, reconhecendo, no entanto, que Infantino havia demonstrado “certo arrependimento”.

“A única coisa pela qual ele realmente se desculpou foi por não ter submetido o assunto ao Conselho”, explicou Hewitt, reforçando que Infantino “deve responder a essas perguntas e, se não o fizer agora, não está apto a ser presidente da Fifa”.

O presidente da Federação Alemã, Bernd Neuendorf, também endossou as críticas. “Fizemos muitas perguntas críticas e, do meu ponto de vista, não houve respostas satisfatórias”, lamentou, acrescentando que “como já disse, a confiança nele foi perdida. Agora, novas pessoas devem elaborar novas ideias, e é preciso determinar como recolocar esta organização, que é extremamente importante para o futebol mundial, sobre bases sólidas”.

Apoio e novos investimentos

Apesar da forte oposição europeia, o plano encontrou defensores em outras regiões. O presidente da Federação Mauritana, Ahmed Yahya, avaliou que o projeto de Infantino era “do interesse do futebol”, pontuando que “o que falhou foi a forma”.

Durante o encontro, o Conselho aprovou a ampliação de um plano de desenvolvimento global avaliado em US$ 6,35 bilhões (R$ 32 bilhões) para o próximo ciclo de quatro anos. “Isso significa agora, concretamente, que cada uma das 211 associações-membro da Fifa receberá US$ 25 milhões (R$ 126 milhões)”, explicou Infantino, ressaltando que a proposta passará por votação no Congresso da entidade em dezembro.

“Portanto, permitam-me dizer que, nos dez anos desde que me tornei presidente da Fifa, passamos de US$ 1 milhão (R$ 5 bilhões) por associação-membro da entidade para US$ 25 milhões por associação-membro da Fifa em todo o mundo”, concluiu o dirigente.

Atualmente, o ítalo-suíço permanece como o único candidato registrado para a eleição da presidência, cargo que ocupa desde 2016 e para o qual busca a recondução em março de 2027. O prazo final para o registro de chapas rivais encerra-se em 18 de novembro.

Fonte: Folha Esportes