Bastidores do Mr Olympia 2026: peso de Ramon despencou antes da hora
O desempenho de Ramon Rocha Queiroz, o Dino, no Mr Olympia 2026 gerou debates entre entusiastas do fisiculturismo após o atleta assegurar a terceira colocação na categoria Classic Physique, ficando atrás do campeão Niall Darwen e de Mike Sommerfeld em setembro. De acordo com Fabrício Pacholok, mentor do fisiculturista acreano, a principal falha na reta decisiva esteve na perda abrupta de peso semanas antes do evento.
O problema com a balança
O educador físico detalhou em entrevista que o planejamento inicial não previa atingir a marca limite de 103 kg com tanta antecedência. “Não foi feita uma estratégia para que ele atingisse o peso necessário tão antes da pesagem. (O que aconteceu foi que) O peso dele começou a despencar e, quatro ou cinco semanas antes do Olympia, ele já estava com aquele peso. Eu conversava com o (Chris) Aceto (preparador de Dino) e nós fazíamos as manipulações que achávamos necessárias para que o peso dele subisse novamente”, revelou.
Metabolismo acelerado
Conhecido como Pacho, o treinador também destacou a intensidade do organismo do atleta ao defini-lo com um “metabolismo de fornalha”. “Circularam imagens do Ramon semanas antes do campeonato e uma das coisas que mais se comentava é ‘ele está com esse físico sendo que já bateu o peso’, então essas imagens viralizaram. A minha preocupação era de que, quando chegasse a reta final, o fato de não haver necessidade de dar aquela puxada a mais, de gerar aquele desgaste para bater o peso, poderia fazer com que o físico dele não respondesse tanto quando fosse hora de encher”, pontuou.
Impacto na finalização
A ausência de um desgaste severo na fase final modificou a resposta corporal do competidor no palco. Pacholok explicou que “como ele já estava com o peso batido, houve uma simples manipulação de água e de diurético, nada muito agressivo, na finalização. A resposta disso não foi aquele físico super responsivo com o qual a gente estava acostumado. Ou seja, o problema começou quando, cerca de cinco semanas antes do Olympia, a gente teve que começar a administrar esse peso —o que não estava previsto e fez com que a gente tivesse que se adaptar. No final, não deu um resultado bom”.
Para os próximos ciclos, a equipe avalia manter o fisiculturista acima do teto da Classic Physique por mais tempo, tomando como base o planejamento de temporadas anteriores. “Eu gosto muito do que aconteceu em 2025. Ele chegou a bater 122 kg (19 kg acima do seu limite na Classic Physique), ficou boa parte do ano com aproximadamente 120 kg, trouxe uma densidade, um aspecto de pedra —principalmente no peitoral e nas costas, que é onde ele precisa dar mais atenção— que ele conseguiu segurar quando o peso começou a cair. Neste ano, esse controle que a gente teve que ter tão antes do campeonato foi, com o tempo, fazendo ele perder essa densidade”, comparou o técnico.
As declarações foram concedidas durante o Mister Olympia Brasil Expo 2026, ocorrido no último dia 17, ocasião em que Dino realizou uma apresentação especial sem caráter competitivo, conhecida como “guest posing”.
Fonte: Folha Esportes