Holanda nega vistos e três ginastas russas ficam fora do Mundial
As autoridades dos Países Baixos rejeitaram a emissão de documentos de viagem para três importantes atletas da modalidade, o que bloqueia a participação delas no Campeonato Mundial de ginástica artística, marcado para começar na próxima semana na cidade de Roterdã.
Reação oficial de Moscou
A Federação Russa de Ginástica manifestou forte indignação com a medida adotada pelo governo neerlandês, classificando o episódio como um ato de exclusão deliberada e uma quebra das diretrizes de equidade no esporte internacional.
“A Embaixada da Holanda em Moscou notificou o centro de vistos de sua recusa em conceder vistos a três destaques da seleção feminina russa —Angelina Melnikova, Viktoria Listunova e Anna Kalmykova”, afirmou a federação em comunicado.
A entidade máxima da ginástica no país europeu também criticou duramente a decisão, classificando-a como “discriminação” e uma “violação” dos princípios de igualdade nas competições, e acusou as autoridades holandesas de tentar deliberadamente manter as “ginastas mais fortes” fora do campeonato.
Tentativas de reversão na justiça esportiva
Diante do veto consular, a delegação russa confirmou que pretende acionar instâncias superiores do esporte mundial para tentar reverter o quadro antes do início das disputas, que ocorrerão entre 17 e 25 de outubro.
O planejamento da federação envolve recursos formais direcionados tanto à Federação Internacional de Ginástica quanto ao Comitê Olímpico Internacional, na tentativa de garantir a presença das atletas no torneio neerlandês.
Antecedentes em competições recentes
O episódio na Holanda revive um obstáculo burocrático semelhante enfrentado meses antes pela principal estrela da equipe. Em agosto, Angelina Melnikova —que levou medalhas de ouro no salto e no individual geral no Campeonato Mundial de 2025, em Jacarta, na Indonésia— teve inicialmente negado o visto para competir no Campeonato Europeu, na Croácia.
Naquela ocasião, a restrição inicial acabou derrubada após a mobilização jurídica da equipe, permitindo que a competidora viajasse e conquistasse a medalha de ouro no individual geral do torneio europeu.
Contexto geopolítico e sanções esportivas
O novo bloqueio diplomático surge no momento em que o esporte russo tenta recuperar espaço no cenário global, enfrentando um longo período de sanções e barreiras desde o início do conflito com a Ucrânia em 2022, além de punições anteriores ligadas a escândalos de manipulação de exames antidoping em Jogos Olímpicos.
Apesar desse cenário restritivo, o Comitê Olímpico Internacional sinalizou uma postura mais flexível em julho, atenuando algumas das proibições aplicadas aos competidores russos para facilitar o retorno gradual deles aos eventos de qualificação visando os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles.
Fonte: Folha Esportes