Tarifa zero nos ônibus pode reduzir inflação, mas aponta desafio financeiro
O plano de implementar o transporte público gratuito nos finais de semana e feriados poderá gerar um impacto direto na economia nacional, com projeção de queda no custo de vida.
Impacto estimado no IPCA
A estimativa é que a medida reduza em 0,25 ponto percentual o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês em que a PEC for aprovada, explica Leonardo Costa, economista do ASA, instituição financeira.
O cálculo considera uma retração de aproximadamente 22,4% no subitem ônibus urbano. A proposta, prevista para entrar em vigor em 2027, dependerá do avanço de uma Proposta de Emenda à Constituição no Congresso Nacional.
Desafio financeiro das empresas
Apesar do apelo social, o setor enfrenta dificuldades estruturais de financiamento. Para a Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), “hoje a receita proveniente do pagamento da tarifa pública não é suficiente para cobrir os custos operacionais do sistema de transporte, o que requer o aporte de receitas não tarifárias”.
A entidade destaca que os subsídios atuais ainda são insuficientes para transformar a qualidade do serviço. “São necessárias outras fontes de recursos para o que o sistema seja sustentado, com melhoria”, acrescenta a nota oficial.
A organização reforça que o modelo exige planejamento financeiro de longo prazo para evitar colapsos operacionais. “Ao mesmo tempo em que a tarifa zero representa o atendimento a um direito social constitucioal, são necessárias fontes seguras de recursos para suportar de forma perene a qualidade e todos os custos operacionais, o que não vem ocorrendo”, escreve a ANTP em nota.
Modelos de implementação gradual
Diante do cenário complexo, a entidade sugere que a transição ocorra de maneira escalonada, priorizando faixas de renda vulneráveis e mantendo valores acessíveis. “É imperativa a participação do Governo Federal no custeio da operação do transporte público”, enfatiza.
Iniciativas semelhantes já funcionam em diferentes capitais brasileiras, servindo de base para avaliar os impactos práticos da gratuidade em dias específicos. “A medida se soma às experiências já em curso em algumas capitais, que mostram como a gratuidade aos domingos pode funcionar na prática”, afirma Costa.
São Paulo, Belo Horizonte, Belém e Brasília já adotam modelos de passe livre em dias específicos, enquanto Curitiba implementou desconto de 50% nas tarifas dominicais e em feriados.
Fonte: G1 Economia