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Caderno Mercado

Regulação da inteligência artificial exige regras mais rígidas que o leite, defende Microsoft

Regulação da inteligência artificial exige regras mais rígidas que o leite, defende Microsoft

O presidente da Microsoft, Brad Smith, defendeu a implementação urgente de regulamentações globais e o uso de avaliadores independentes para monitorar os novos saltos tecnológicos. Durante uma entrevista concedida à BBC nesta segunda-feira (12), o executivo comparou o cenário regulatório atual com o de produtos cotidianos, destacando que a inovação digital opera com menos amarras do que o consumo básico.

Exigências de segurança insuficientes

Para ilustrar a lacuna fiscalizatória, o executivo fez um paralelo direto com eletrodomésticos e alimentos comercializados no varejo. “Hoje, sua máquina de lavar está sujeita a mais regras de segurança do que a IA. Toda caixa de leite que você vê no supermercado está sujeita a regras de segurança e fiscalização”, afirmou Smith.

Ferramentas de controle e alertas obrigatórios

O plano sugerido pelo representante da empresa de tecnologia inclui a obrigatoriedade de notificar vítimas caso sistemas automatizados operem fora de controle e invadan dados. Além disso, o pacote de medidas deveria contemplar um mecanismo de interrupção e exigências legais para a emissão de relatórios detalhados sobre falhas e incidentes operacionais.

“Sabemos como fazer isso para outros produtos”, disse Smith. “Devemos aproveitar esse conhecimento e pensar em como aplicá-lo à IA.”

Debate global e o papel de liderança do Reino Unido

A discussão ocorre em meio a um cenário de rápida expansão do setor, onde companhias como OpenAI e Anthropic já começaram a expor comportamentos inesperados de seus agentes digitais. O debate engloba desde receios sobre a sobrevivência humana até questionamentos sobre se o pedido de desaceleração por parte de executivos serviria apenas para blindar grandes corporações da concorrência.

Do ponto de vista geopolítico, o dirigente avalia que o Reino Unido possui vantagem estratégica para capitanear essa governança por intermédio do seu Instituto de Segurança de IA. Enquanto a União Europeia adota uma abordagem baseada em níveis de risco por meio do AI Act, o modelo britânico aposta em parcerias voluntárias que asseguram acesso prévio a modelos avançados de tecnologia antes do lançamento comercial.

Fonte: G1 Economia