FMI eleva crescimento global com IA mas alerta para dependência
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 3% para 3,1% a previsão de crescimento da economia global, impulsionado pelos fortes investimentos em inteligência artificial (IA). Segundo a instituição, o avanço tecnológico ajuda a compensar os efeitos da guerra no Oriente Médio e da alta dos preços da energia, embora não elimine os riscos globais.
Impacto da inteligência artificial no comércio e nas nações A projeção integra o relatório divulgado durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangcoc. O avanço econômico é sustentado pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, beneficiando grandes economias desenvolvedoras e países fornecedores de equipamentos, como Coreia do Sul, Malásia, México e Tailândia.
As vendas internacionais de produtos ligados à tecnologia cresceram 29% entre 2023 e 2025, superando o avanço de 8,3% do comércio global no período.
“A economia global tem se mostrado resiliente, mas essa resiliência está chegando ao limite. Por isso, precisamos passar de apenas lidar com a situação para reconstruir”, afirmou a economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, em entrevista coletiva.
Riscos geopolíticos e desigualdade econômica Apesar da alta, o FMI alerta que os principais perigos incluem o prolongamento do conflito no Oriente Médio, a alta de juros e eventos climáticos extremos. A instituição também destacou uma desigualdade crescente, onde apenas 32 países respondem por 95% do crescimento mundial atual.
“Precisamos recompor o espaço fiscal. Precisamos reconstruir a resiliência do lado da oferta”, acrescentou Silvana Tenreyro.
Previsões regionais e cenários para a inflação Nos Estados Unidos, o crescimento estimado é de 2,3%, enquanto a zona do euro subiu para 1,1%. A Índia segue como a grande economia de maior expansão, projetando alta de 7,0% do PIB. A inflação global deve fechar o período em patamares controlados, mas o cenário depende da estabilização do transporte marítimo e do preço do petróleo.
“Agora temos uma economia que se sustenta em uma perna só, a perna da IA”, afirmou a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva. “E se ela vacilar? E se houver decepção e isso levar a um ambiente potencialmente mais difícil?”
Diante do cenário de incertezas e do avanço do endividamento público, o Fundo recomenda que os governos priorizem a sustentabilidade fiscal e preparem planos de médio prazo para mitigar choques futuros.
Fonte: G1 Economia