FMI alerta para choques frequentes nos preços de comida e energia
As disparadas repentinas nos valores de itens essenciais, como alimentos e combustíveis, tendem a ocorrer com maior frequência nos próximos anos. O alerta partiu do Fundo Monetário Internacional (FMI), que adverte que esses episódios recorrentes ameaçam a estabilidade econômica global, agravam a miséria e sustentam as projeções de inflação em patamares elevados por períodos prolongados.
Impacto real sobre as famílias vulneráveis
Ao avaliar três décadas de intervenções governamentais contra a carestia, o FMI desenvolveu uma metodologia econômica inédita. A análise pondera com mais precisão a fatia expressiva da renda que os mais pobres comprometem com necessidades básicas. Esse modelo revelou uma defasagem de 0,8 ponto percentual em comparação aos índices inflacionários convencionais.
Como consequência dessa distorção, o levantamento indicou que, de 2021 a 2024, o contingente populacional lançado abaixo da linha da extrema pobreza superou em 23 milhões de pessoas as projeções oficiais anteriores.
“Em resumo, as crises do custo de vida … afetam a estabilidade de preços, reduzem os padrões de vida e agravam a desigualdade”, afirmou Chiara Maggi, economista do FMI que participou da coordenação do estudo.
O diagnóstico integra o segundo capítulo do documento Perspectiva Econômica Mundial. O fundo ressalta que choques sincronizados entre várias nações eram raros no passado, mas se tornaram frequentes devido a tensões geopolíticas recentes, como a invasão russa na Ucrânia e a escalada bélica no Oriente Médio envolvendo Irã e Estados Unidos.
Expectativas inflacionárias e taxa de juros
O levantamento aponta que os surtos no custo de vida desancoram as projeções de inflação tanto no curto quanto no médio prazo, sustentando índices acima da média mesmo após três anos do choque inicial. As perspectivas para o horizonte de cinco anos também continuam pressionadas no mesmo intervalo.
Esse comportamento prolongado cria um ambiente desafiador para a política monetária, forçando os bancos centrais a manterem ou elevarem suas taxas básicas de juros para conter a escalada de preços.
Subsídios versus transferência direta de renda
Diante desse cenário, a instituição defende que a estratégia mais eficaz para amortecer o golpe sobre a população vulnerável consiste na concessão de transferências de renda focalizadas, sem congelamentos artificiais de preços no mercado.
Ferramentas tradicionais, como isenções fiscais sobre o consumo e controle de tarifas, representam gastos de três a seis vezes maiores aos cofres públicos. Quando se opta por subsidiar diretamente os produtores, a despesa governamental pode se multiplicar por até 22 vezes.
De acordo com Maggi, os subsídios à produção adotados por países emergentes se mostram particularmente ineficientes, pois terminam por baratear produtos voltados ao mercado externo. Dessa maneira, recursos públicos nacionais acabam subsidiando consumidores de outros países.
Ritmo da atividade econômica global
Apesar da resiliência apresentada diante dos choques energéticos recentes, o FMI projeta uma expansão de cerca de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) global em 2026. O resultado marca uma desaceleração em relação à média de 3,5% verificada no biênio 2024-2025, refletindo riscos geopolíticos persistentes no horizonte econômico.
Fonte: G1 Economia