Amazon lança tablets com Android e aposta no segmento premium
Em um movimento histórico de reposicionamento de mercado, a Amazon anunciou uma reformulação completa em seu portfólio de dispositivos portáteis. A gigante de tecnologia revelou a família de aparelhos Alexa Tablets, marcando a primeira vez que a fabricante equipa seus modelos com o sistema operacional Android nativo, além de integrar a versão aprimorada de sua assistente virtual com inteligência artificial, a Alexa+.
Mudança estratégica e adeus ao Fire OS
A substituição do antigo Fire OS atende a antigas reclamações tanto de usuários quanto de desenvolvedores de software. Embora fosse derivado do sistema do Google, o ecossistema anterior da empresa exigia adaptações específicas para a publicação de aplicativos em sua loja própria. Com a transição para a plataforma padrão do Android, o público ganha acesso direto a um catálogo muito mais abrangente de ferramentas e aplicações.
A transformação é liderada por Panos Panay, chefe da divisão de hardware da multinacional. A meta declarada é abandonar a antiga tática de vender produtos de entrada a preço de custo — modelo que buscava fidelizar clientes em serviços como Prime Video e Kindle, mas gerava críticas devido ao acabamento em plástico, baterias de menor duração e telas de baixa resolução.
Novos modelos e salto nos preços
Diferente da geração anterior feita em plástico, todos os novos dispositivos contam com construção em alumínio. A linha é composta por três versões distintas:
- Amazon Alexa Tablet 8
- Amazon Alexa Tablet 11
- Amazon Alexa Tablet 12 Pro
Os valores variam entre US$ 230 (cerca de R$ 1.155) e US$ 550 (aproximadamente R$ 2.761) na configuração mais avançada, com 128 gigabytes de memória interna. O salto é expressivo na comparação com o Fire HD 10, modelo mais completo do catálogo antigo, que saía por cerca de US$ 180 (R$ 904). No topo de linha, a Amazon passa a cobrar valores equivalentes aos aparelhos Galaxy, da Samsung, e US$ 100 acima do modelo inicial do iPad, da Apple, vendido a US$ 450 (R$ 2.259).
Outra alteração envolve os anúncios publicitários na tela de bloqueio. Enquanto a edição mais sofisticada já é comercializada livre de propaganda, os outros modelos exigem o pagamento de uma taxa de US$ 20 (R$ 100) para desativar os avisos comerciais — taxa superior aos US$ 15 cobrados anteriormente.
Inteligência artificial como diferencial competitivo
O grande chamariz técnico dos lançamentos é a integração profunda com a Alexa+. Equipada com modelos de inteligência artificial generativa, a assistente foi reformulada após investimentos bilionários e agora consegue realizar tarefas complexas em automação residencial, efetuar compras e interagir com plataformas externas. Para ter acesso à ferramenta nos tablets, os usuários precisam assinar o programa Amazon Prime ou o plano dedicado do serviço.
A ofensiva por um público de maior poder aquisitivo ocorre em um cenário desafiador para a categoria. As vendas globais de tablets recuaram 12% no segundo trimestre deste ano, somando 33,6 milhões de remessas, puxadas por uma queda de 32% no mercado dos Estados Unidos. Nesse período, a participação da Amazon despencou de 8% para apenas 1,9% no cenário internacional, setor atualmente liderado pela Apple, com 34%, seguida pela Samsung, com 17,5%.
Fonte: G1 Economia