Professores avaliam tema da redação do Enem como relevante e acessível
O Exame Nacional do Ensino Minuto deste ano trouxe como proposta de redação a valorização do Sistema Único de Saúde como direito universal, surpreendendo especialistas e educadores. Aplicadas neste domingo em todo o território nacional, as provas geraram repercussão positiva entre professores de língua portuguesa e redação, que destacaram a relevância e a acessibilidade da temática proposta.
Pertinência social e o cotidiano dos estudantes
Para os docentes, discutir a saúde pública no Brasil é fundamental em razão das marcantes desigualdades sociais do país. O assunto faz parte do dia a dia da população e ganhou ainda mais destaque durante a crise sanitária da covid-19. “É muito importante a gente falar de saúde pública dentro de um país onde as desigualdades sociais são muito grandes”, afirma Tatiana Nunes, professora de redação e linguagens em escolas do Rio de Janeiro. Ela acrescenta que a rede pública de atendimento necessita de maiores investimentos, tendo em vista o volume expressivo de centenas de milhões de usuários dependentes do serviço.
No mesmo sentido, Flávio Miguel, docente de língua portuguesa no Distrito Federal, pontuou que o assunto favorece o desenvolvimento textual por estar inserido no debate público cotidiano. “É um tema fácil de ser trabalhado, diferentemente dos temas dos outros anos”, declarou. Já Gabrielle Gulgueira Cavalin, do Poliedro Educação, classificou a escolha como uma grata surpresa que rompeu com o foco recente em minorias e eixos de cidadania.
Argumentação, repertório sociocultural e análise crítica
A prova exige do estudante a elaboração de um texto dissertativo-argumentativo estruturado em introdução, desenvolvimento e conclusão, sendo fundamental ir além de uma defesa genérica do SUS. Carolina Siequeroli, da Cogna Educação, ressalta que “quem acompanha as atualidades têm maior chance de se destacar positivamente na realização da prova, posto que, nos últimos anos, principalmente por questões políticas, há a defesa do SUS e da sua ampliação na sociedade brasileira”.
Os professores enfatizam que a palavra central da proposta é a valorização, conceito que deve nortear a construção dos argumentos e a elaboração da proposta de intervenção. Flávio reforça a necessidade de rigor estrutural: “É muito importante que os candidatos trabalhem bastante a argumentação em relação a isso, principalmente na proposta interventiva.” No mesmo direcionamento, Tatiana destaca a importância de embasamento legítimo: “O candidato bem preparado vai ter que trazer para a prova repertórios contundentes, principalmente produtivos e legitimados, que não sejam, por exemplo, pautados em fake news.”
Desafios trazidos pelos textos motivadores
Com a redação representando vinte por cento da nota final do exame, os candidatos precisam selecionar estrategicamente os argumentos com base nas diretrizes apresentadas pelos textos motivadores da prova. “Os principais desafios para os candidatos seriam, primeiramente, organizar as ideias sobre o que abordar de fato na redação, posto que o tema, por ser bem atual, pode ter vários argumentos relevantes para serem utilizados. Por isso, é preciso que os estudantes escolham estrategicamente seus argumentos, considerando a orientação dos textos motivadores”, conclui Carolina Siequeroli.
Fonte: Agencia Brasil