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Caderno Mercado

Eleitores apontam pessimismo com economia brasileira após reeleição de lula

Eleitores apontam pessimismo com economia brasileira após reeleição de lula

A percepção da população brasileira sobre os rumos da economia sofreu uma retração após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontam os dados de uma pesquisa Quaest divulgada recentemente.

Divisão inédita no terceiro mandato O levantamento indica que 39% dos eleitores projetam uma melhora na economia ao longo dos próximos 12 meses, enquanto exatamente a mesma fatia, 39%, prevê uma piora. Outros 19% estimam estabilidade no cenário financeiro.

Trata-se do primeiro empate registrado entre otimistas e pessimistas na série histórica do instituto durante o atual mandato do petista. No mês de agosto, antecedendo o pleito, 46% aguardavam avanço econômico e 24% anteviam retrocesso, ao passo que há um ano os índices marcavam 42% e 35%, respectivamente. Na transição de dezembro de 2022, logo após a vitória sobre Jair Bolsonaro, o panorama era mais favorável, com 47% de expectativas positivas contra 29% negativas.

Metodologia do levantamento Para mapear esse panorama, a Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro. A margem de erro estimada para a amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Concentração do pessimismo e otimismo O sentimento de apreensão econômica sobressai de forma marcante entre os estratos de maior poder aquisitivo, maior escolaridade e na região Sul do país. Entre cidadãos com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 49% preveem dias piores e 30% apostam em melhora — em agosto, o grupo pessimista nessa faixa representava 30%. No Sul, o índice de desconfiança atinge 58%, frente a 24% de projeções favoráveis. Já entre portadores de diploma de ensino superior, os percentuais ficam em 46% e 31%.

Em contrapartida, as classes de menor renda revelam visão oposta: 48% dos que recebem até dois salários mínimos esperam alta econômica e 29% preveem queda. No Nordeste, a proporção é de 50% a 25%. Entre os jovens de 16 a 34 anos, os pessimistas lideram (41% a 34%), enquanto os idosos com 60 anos ou mais demonstram maior confiança (43% a 29%).

Polarização política O alinhamento partidário e ideológico molda fortemente as perspectivas dos entrevistados. Entre apoiadores de Lula, 79% aguardam melhora e apenas 2% preveem piora. O polo oposto reflete um movimento inverso: entre bolsonaristas, 84% projetam um cenário desfavorável, índice que era de 38% em agosto. Na direita não alinhada ao bolsonarismo, a fatia saltou de 42% para 80%, ao passo que o grupo de independentes manteve estabilidade, com 35% otimistas e 30% pessimistas.

Preocupações centrais e cobranças populares O fator econômico sobressai como a principal fonte de angústia para quem enxerga o futuro com temor. No total, 48% dos votantes declaram-se mais preocupados do que otimistas com os rumos do país, ao passo que 44% mostram-se esperançosos. Entre os apreensivos, 27% creditam o receio a questões econômicas, como gastos, dívida pública e taxas de juros, superando temas como segurança pública (17%), corrupção (12%) e articulação com o Congresso Nacional (12%). Na camada de renda acima de cinco salários mínimos, esse indicador de preocupação econômica chega a 30%.

Apesar do clima de cautela, as demandas mais exigidas da população continuam atreladas ao campo econômico e trabalhista. A extinção da escala 6×1 é tratada como prioridade por 17% dos entrevistados. Na sequência aparecem a desoneração de tributos na cesta básica (16%) e a elevação real do salário mínimo (11%). Projetos habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida e salvaguardas para entregadores de aplicativos somam 4% cada.

Fonte: Folha - Mercado