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Caderno Mercado

Crise no Paraguai: o mandato de Santiago Peña e os atritos com o Brasil

Crise no Paraguai: o mandato de Santiago Peña e os atritos com o Brasil

O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña. Ele foi destituído do cargo em meio a uma crise política provocada pelo fechamento do banco digital ueno. Durante os pouco mais de três anos em que esteve no poder, Peña também enfrentou episódios de tensão diplomática com o Brasil, destacando sensibilidades sobre a usina de Itaipu e a memória de um dos conflitos mais traumáticos da história paraguaia.

Espionagem hacker na mira de Itaipu

Em março de 2025, Brasil e Paraguai entraram em um atrito diplomático após a revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) havia autorizado uma operação hacker contra sistemas do país vizinho. Um funcionário da Abin afirmou em depoimento à Polícia Federal que agentes brasileiros mantiveram operações de invasão a sistemas da Presidência da República e do Congresso do Paraguai.

A ação também envolveu acessos a equipamentos de autoridades envolvidas nas negociações sobre as tarifas de Itaipu. O objetivo era obter informações sigilosas sobre as tratativas relacionadas ao Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as bases financeiras e as condições de comercialização da energia produzida pela usina. A revelação levou o Paraguai a convocar o embaixador brasileiro e a suspender as negociações sobre a revisão do tratado.

Declarações sobre a Guerra do Paraguai

Em julho de 2026, uma declaração de Lula sobre a Guerra do Paraguai provocou uma nova reação do governo de Peña. Durante um discurso em Jacareí (SP), o presidente brasileiro defendeu investimentos em defesa nacional e afirmou que o Brasil, apesar de gostar da paz, não poderia esquecer que o Paraguai havia invadido o território brasileiro no século 19.

O conflito, ocorrido entre 1864 e 1870, resultou em perdas populacionais estimadas entre 60% e 70% para os paraguaios. A fala gerou forte repercussão internacional. O chanceler Rubén Ramírez Lezcano disse que o governo paraguaio defenderia a dignidade e os interesses nacionais diante das falas do presidente brasileiro. A Câmara dos Deputados paraguaia também aprovou uma declaração de repúdio, afirmando que Lula havia minimizado a dimensão histórica do conflito.

A disputa pelo canhão El Cristiano

Como desdobramento da crise diplomática, o governo paraguaio exigiu a devolução de troféus de guerra, com destaque para o canhão El Cristiano. O artefato de 12 toneladas, fabricado com o bronze de sinos de igrejas, está no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, desde 1870, e é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A restituição da peça é cobrada há mais de uma década por ser um símbolo de resistência nacional.

Fonte: Mundo