Fórmula 1 volta a ter quatro pilotos latino-americanos no grid após dez anos
O GP de São Paulo marca um momento histórico para o automobilismo regional com o retorno de quatro pilotos latino-americanos à Fórmula 1, um feito que não ocorria há exatamente uma década.
A chegada de Rafael Câmara e as mudanças no grid
A escalação para a etapa em Interlagos traz o pernambucano de 21 anos na Haas, com estreia antecipada após o afastamento do francês Esteban Ocon na etapa anterior. O japonês Ryo Hirakawa, que seria o substituto, ficou de fora devido a um conflito de agenda com o Mundial de Endurance em Monza, permitindo que Câmara assuma o cockpit neste final de semana e siga como titular na etapa de Las Vegas.
Com essa movimentação, o Brasil volta a contar com dois representantes titulares simultâneos na categoria pela primeira vez desde 2016, fazendo dupla com Gabriel Bortoleto, da Audi. O grid da América Latina fica completo com o mexicano Sergio Pérez, da Cadillac, e o argentino Franco Colapinto, da Alpine.
O histórico recente da região na categoria
O último momento em que a categoria registrou quatro competidores da região simultaneamente foi na temporada de 2016, quando o grid contava com os brasileiros Felipe Massa e Felipe Nasr, além dos mexicanos Sergio Pérez e Esteban Gutiérrez.
Os anos seguintes foram marcados por saídas e pela aposentadoria de Massa, o que iniciou um longo jejum de brasileiros na principal categoria do esporte a motor que perdurou até a chegada de Bortoleto. Durante um longo período, Pérez permaneceu como o único representante regional, cenário que começou a mudar com a entrada de Colapinto e, posteriormente, de Bortoleto e Câmara.
Desafios financeiros e inspiração para novos talentos
A trajetória até a categoria principal é marcada por barreiras financeiras e custos elevados nas categorias de base, um tema destacado pelos próprios atletas. Bortoleto classificou o acesso como “um milagre” ao pontuar que “Tem sido cada vez mais caro correr no automobilismo, não pelo Brasil em si, mas por quanto o esporte está se tornando dispendioso na F3, na F2 e em todas as outras categorias, como o kart”.
Vindo de conquistas expressivas nas categorias de base e integrante da academia da Ferrari desde 2021, Câmara reforça a importância de abrir caminhos. “Acho que, na vida, independentemente do que se faça, se você ama o que faz, é possível fazer dar certo. É muito bom estar nesta posição e espero que possamos inspirar os mais jovens a perseguir seus objetivos, para que um dia haja mais pilotos da América do Sul aqui”, afirmou.
A visão é compartilhada por Colapinto, que relembrou as dificuldades enfrentadas desde a infância na Argentina. “Quando eu era jovem, todos me diziam que era impossível chegar à F1, que era preciso ter muito dinheiro e recursos, que era extremamente difícil vindo de onde viemos”, comentou.
“Somos quatro latino-americanos na F1. É algo de que nos orgulhamos muito. Eu me sinto muito honrado por ser um deles. Sou muito grato e fico muito feliz com o apoio que recebo; mas, acima de tudo, por poder inspirar as crianças”, disse o argentino.
Fonte: Folha Esportes