Espanha e Holanda indicam sucessores para a presidência do Banco Central Europeu
Os governos da zona do euro oficializaram nesta sexta-feira (6) a indicação de dois nomes experientes na gestão de crises para suceder Christine Lagarde no comando do Banco Central Europeu (BCE). A disputa pelo cargo financeiro mais influente da Europa passa a envolver perfis tradicionais do sistema bancário central.
Candidatos ao comando do BCE A Espanha apresentou o nome de Pablo Hernández de Cos, que atua como diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais. Por sua vez, a Holanda apostou em Klaas Knot, atual presidente do banco central neerlandês. Ambos assumiriam a função a partir de fevereiro.
“Em sua próxima reunião, em 9 de novembro, o Eurogrupo avaliará essas candidaturas”, afirmou Kyriakos Pierrakakis, presidente do Eurogrupo, que representa os ministros das Finanças da zona do euro, em comunicado.
Continuidade na política monetária Apesar de a decisão final dos líderes da União Europeia poder se estender por semanas, as escolhas sinalizam manutenção de rumo na instituição. Os dois indicados acumulam anos de atuação no Conselho do BCE ou em funções de proximidade com a definição de taxas de juros.
Desafios e transição na liderança O sucessor assumirá o cargo em um cenário complexo, marcado pela elevação de juros para conter a inflação e por incertezas fiscais na França. Além disso, o BCE perderá outros dois nomes de peso do conselho: Isabel Schnabel, chefe de operações de mercado, que sai em 3 de janeiro, e o economista-chefe Philip Lane, cuja saída ocorre em 31 de maio.
Especialistas avaliam que a troca de comando não deve provocar mudanças imediatas nas diretrizes econômicas da entidade.
“De forma simplificada, Knot é visto como um pouco mais hawkish e de Cos um pouco mais dovish, embora não devamos dar demasiada importância às diferenças entre os dois”, disse Modupe Adegbembo, da Jefferies.
“O BCE continua sendo uma instituição orientada pelo consenso e a instituição é maior do que qualquer indivíduo, portanto, não esperamos que a troca do presidente, por si só, altere significativamente a função de reação”, acrescentou Adegbembo.
Obstáculos de gênero e geopolítica A transição também esbarra na discussão sobre a representatividade feminina, uma vez que as duas únicas mulheres presentes no conselho de 27 membros — Lagarde e Schnabel — estão de saída. Embora o Parlamento Europeu não tenha poder de veto, nomeações anteriores já sofreram atrasos como forma de protesto contra a disparidade de gênero.
A definição final dependerá das articulações entre as maiores economias do bloco, com destaque para a influência de França e Alemanha na distribuição das demais vagas estratégicas do conselho.
Fonte: Folha - Mercado