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Caderno Mercado

Seca extrema no Sertão de Sergipe devasta lavouras e faz produtores perderem gado

Seca extrema no Sertão de Sergipe devasta lavouras e faz produtores perderem gado

A falta de chuvas e a estiagem prolongada provocaram um colapso severo na agricultura e na pecuária de Poço Redondo, município situado no Alto Sertão de Sergipe. O cenário atual é marcado por paisagens de terra batida e leitos de riachos completamente vazios, eliminando a principal fonte de sustento das famílias que vivem na zona rural.

Prejuízos totais na agricultura

Na propriedade de Cleiton Feitosa dos Santos, os gastos com o preparo do solo para o cultivo de milho — grão essencial para alimentar o rebanho — resultaram em perda total, já que a plantação não conseguiu se desenvolver.

“Não vingou nada este ano. O milho foi devagar demais, a chuva foi fraca e o milho não cresceu”, diz o agricultor.

Sem grãos e sem pastagem disponível, o custo para manter os animais disparou, acompanhado por uma queda drástica na captação diária de leite. O produtor José Valmir relata a situação crítica: “Quando elas estavam gordas [as vacas], a gente tirava aqui de 60 a 70 litros diários. Agora, se for tirar o leite hoje, vai dar uns 32 litros. É só para o gasto mesmo”.

Alternativas drásticas para evitar a morte dos animais

Para tentar manter o rebanho vivo, Valmir recorre a espécimes nativos da Caatinga, como a macambira e o mandacaru, queimando os espinhos antes de oferecer a forragem aos animais. “Não engorda, mas dá para ir levando”, desabafa.

Apesar do esforço, a alimentação alternativa não tem sido suficiente. Valmir perdeu quatro animais nos últimos meses, enquanto Cleiton optou por vender quase todo o seu rebanho: das cerca de 20 cabeças que possuía, apenas quatro continuam na propriedade.

“Estou querendo vender já, porque não tem outro jeito. Se pelo menos chovesse para melhorar as coisas, mas do jeito que tá aí, não dá”, lamenta Cleiton.

Impacto estadual e ações de emergência

Dados divulgados pelo governo de Sergipe apontam que mais de 73,1 mil pessoas já foram diretamente atingidas pela estiagem no estado, deixando 11 municípios em situação de emergência. Para combater o desabastecimento, a Defesa Civil Estadual enviou uma frota inicial de 40 caminhões-pipa, com possibilidade de subir para 60 veículos, somando esforços com a Operação Carro-Pipa Federal, do Exército Brasileiro.

De acordo com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), o impacto nas lavouras da região foi absoluto.

“Toda a safra plantada foi perdida [..] tamanha a escassez de água e o déficit hídrico do solo. Com isso, não teve nem produção e, consequentemente, nenhuma reserva alimentar para o gado”, explica o engenheiro agrônomo da Emdagro, Luciano Firmino.

Previsão climática desfavorável

O cenário para os próximos meses é preocupante. Um painel federal sobre o clima indicou que há mais de 95% de probabilidade de consolidação do fenômeno El Niño em forte intensidade no trimestre final do ano, provocando aumento de temperaturas e redução de chuvas no Nordeste.

“A tendência é que, até o final do ano, lá por meados de dezembro, a situação esteja muito mais grave do que está hoje. O El Niño tem duas funções básicas: reduzir a quantidade de chuvas e aumentar a quantidade do calor”, alerta o engenheiro agrônomo Luciano Firmino.

Fonte: SERGIPE