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Caderno Mercado

Zverev cumpre profecia de Nadal e alcança o topo do tênis mundial

Zverev cumpre profecia de Nadal e alcança o topo do tênis mundial

O alemão Alexander “Sasha” Zverev garantiu matematicamente sua chegada ao topo do ranking mundial de tênis nesta quinta-feira (29). A consagração veio após uma vitória por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 7/5, sobre o holandês Tallon Griekspoor, de 50º no ranking, nas oitavas de final do ATP 500 de Viena, na Áustria.

Com o resultado, o atleta de descendência soviética ultrapassará Jannik Sinner na listagem oficial da ATP, que será atualizada na próxima semana. Para celebrar o marco, a Associação dos Tenistas Profissionais organizará um jantar de gala em Turim, na Itália, no dia 13, reunindo todos os ex-líderes do circuito.

Apenas a elite da história do tênis alemão alcançou tal façanha. No masculino, o único precedente era Boris Becker, em 1991. Michael Stich e Tommy Haas chegaram perto, mas estacionaram na segunda colocação. Entre as mulheres, Steffi Graf construiu um legado incomparável com 22 Grand Slams e o inédito Golden Slam em 1988, enquanto Angelique Kerber atingiu o topo em 2016.

A profecia de Rafael Nadal

“Alexander Zverev vai ser número um”. Dez anos depois, a profecia de Rafael Nadal se realizou.

A declaração do espanhol, feita em 2016, soou como um consolo na época. O jovem de 1,98 m havia acabado de perder para o próprio Nadal nas oitavas de final do Masters 1000 de Indian Wells, desperdiçando um match point.

A resiliência sempre marcou a carreira de Sasha, criado em uma família de ex-atletas soviéticos e acostumado a conviver desde cedo com lendas como Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic.

Tradição familiar e superação médica

O pai do atleta, também chamado Alexander Zverev, deixou a Rússia rumo à Alemanha em 1991, alcançando o top 200 mundial. O irmão mais velho, Mischa, chegou a ocupar a 25ª posição do ranking.

Treinado pelo patriarca e amparado pela mãe Irina, Sasha começou a jogar aos cinco anos contrariando prescrições médicas. Diagnosticado com diabetes tipo 1, ele tinha recomendação de evitar grandes esforços físicos, mas a mãe o encorajou a seguir no esporte. No juvenil, o fã de Federer já despontava como número um e venceu o Aberto da Austrália em 2014.

Consagração e desafios no circuito profissional

No profissionalismo, o tenista rapidamente justificou as expectativas. Aos 20 anos, já figurava no top 3 e colecionava vitórias sobre ídolos como Federer. Destro e dono de um potente backhand de duas mãos, ele se tornou um dos raros atletas capazes de furar a hegemonia do chamado “trio de ferro”, conquistando títulos de Masters 1000 e o ATP Finals.

Zverev integra um grupo exclusivo de três jogadores — ao lado de Andy Murray e Dominic Thiem — que derrotaram Djokovic na quadra dura, Federer na grama e Nadal no saibro.

Em 2021, o alemão faturou a medalha de ouro nos Jogos de Tóquio, batendo Djokovic na semifinal. Contudo, os torneios de Grand Slam impuseram barreiras duras. Além da forte concorrência da geração dominante e o surgimento de Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, ele sofreu uma lesão grave no tornozelo em 2022 e enfrentou processos judiciais de ex-namoradas, que acabaram extintos por falta de provas e acordo.

O tão sonhado título de Grand Slam veio após três vices e sete semifinais. Nesta temporada, conquistou Roland Garros e o US Open, além de alcançar a final em Wimbledon. Impulsionado por esses resultados e pelo afastamento de Sinner por lesão, Zverev soma pontos suficientes para se tornar o 30º líder da história do ranking.

Aos 29 anos e pai de uma menina de cinco, contando com o apoio do amigo brasileiro Marcelo Melo, Sasha torna-se o segundo tenista mais velho a alcançar a liderança mundial pela primeira vez, atrás apenas do australiano John Newcombe, que atingiu o topo aos 30 anos.

Fonte: Folha Esportes