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Caderno Mercado

Haddad aponta soberania internacional com vitória de Lula e cita diplomacia

Haddad aponta soberania internacional com vitória de Lula e cita diplomacia

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad avaliou neste domingo (25) que a condução de Luiz Inácio Lula da Silva ao seu quarto mandato presidencial representa uma garantia de autonomia para o país nas relações exteriores.

A soberania nacional e o cenário global

Para o ex-prefeito de São Paulo, o processo eleitoral brasileiro teve características inéditas. “Não tem paralelo o que aconteceu no Brasil. O país era uma peça-chave no tabuleiro internacional. E o Lula conseguiu garantir as duas coisas mais importantes: soberania popular e nacional. A soberania interna e uma diplomacia responsável. Porque o Brasil não tem tamanho para ser quintal de ninguém”, declarou.

O petista também creditou a virada eleitoral à mobilização popular em defesa da Constituição e do combate a problemas estruturais. “Acho que foi histórico o que aconteceu nos últimos 15 dias no Brasil. A maneira como a população reagiu. Todo mundo saiu da passividade, do conformismo e foi exercer a cidadania. Milhões de pessoas na rua para manifestar seu apreço à Constituição, pela soberania do país. O fim da fome, o fim do desmatamento”, afirmou.

Diálogo político e articulação no parlamento

Apesar do otimismo com o resultado nas urnas, Haddad destacou a necessidade de conversas com a oposição. “O governo que foi reeleito também precisa dialogar com o outro lado. É uma realidade que exige diálogo. Tem que conversar mais, falar mais. Não podemos mais passar esse susto de novo”, disse. “O Lula é um homem muito experiente. O mundo está passando por uma situação difícil. E passa por um momento delicado. Por isso acho que o povo brasileiro optou por ele”, completou.

Sobre as dificuldades esperadas com uma composição legislativa de perfil conservador, o ex-ministro demonstrou confiança na habilidade de articulação do chefe do Executivo. “Falaram o mesmo do Congresso passado [que era conservador] e nós aprovamos todas as medidas e reformas”, declarou.

A estratégia digital e o papel de Janones

Hospedado no mesmo hotel na capital paulista, o deputado federal André Janones comentou a criação do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que alcançou milhões de seguidores durante o pleito. “Eu agradeço [o título de maior nome do 2º turno], mas o nome real desta eleição é Luiz Inácio Lula da Silva. A energia vem dele, a força vem dele. Eu recebi a missão de canalizar isso. A energia nunca emanou de mim. Eu peguei a energia dele e, como se fosse um cano, canalizei essa energia para distribuir para o povo brasileiro”, afirmou. “A gente reagiu à covardia. E mostrou que, da mesma forma que eles se reúnem para fazer o mal e assassinar reputações, a gente mostrou que é possível se unir para defender a democracia”, declarou.

Janones voltou a comparar a dinâmica da campanha digital com a atuação de um atleta em campo. “Nós jogamos para o Messi. O Messi nunca deixou de ser gênio. Ele fala na seleção da Argentina: olha, eu não consigo correr mais, mas o restante eu faço. Os jovens disseram: eu corro por você. Eu dizia para o Lula: ‘O senhor não tem que aprender a usar rede social. O senhor já fez o que tinha que fazer. Nas redes sociais, nós correremos pelo senhor’. E foi isso que a gente fez”, declarou.

Questionado sobre eventuais negociações para assumir pastas na Esplanada dos Ministérios, o parlamentar negou qualquer tratativa. “Nunca houve essa conversa. Em 2022, as pessoas diziam que o presidente Lula deveria ter me nomeado ministro. Ele não deveria porque uma condição [minha] em 2022 era que eu continuasse na Câmara dos Deputados. O meu compromisso é com a democracia e com o maior presidente que este país já teve”, afirmou.

O enfrentamento estratégico do marketing político

O marqueteiro Sidônio Palmeira também celebrou o resultado e detalhou os desafios superados pela equipe de comunicação ao longo do processo eleitoral. “Acho que a gente voltou para esse segundo turno e pautou falando dos projetos do governo e discutindo o futuro do país. Nós enfrentamos todos: Trump, o tarifaço, os Bolsonaro querendo entregar o país. Tudo isso, e o provo compreendeu o que estava em jogo e deu a vitória ao presidente Lula”, afirmou ao g1.

Por fim, o estrategista negou ter sofrido pressões internas após o resultado do primeiro turno e comentou a proposta de restrição às apostas esportivas. “Para ser sincero, eu não fui pressionado em nenhum momento. Eu sugeri ao presidente proibir as bets. E ele aceitou com a maior naturalidade. Não senti nenhuma pressão. A minha relação com o presidente é a mesma desde o primeiro turno e durante o período. Nós estivemos sempre do lado do povo brasileiro”, afirmou.

Fonte: G1 - Política