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Caderno Mercado

Pl de Flávio Bolsonaro deve ficar isolado contra Lula

Pl de Flávio Bolsonaro deve ficar isolado contra Lula

A iniciativa do candidato Flávio Bolsonaro, do PL, de recusar o reconhecimento da vitória do presidente Lula e protocolar um pedido de anulação da eleição tende a caminhar sem respaldo oficial de outras siglas políticas. Até o momento, legendas que integravam a base de apoio do senador liberal — a saber, MDB, Republicanos, União Brasil e PSD — já chancelaram publicamente o triunfo do petista.

Posicionamentos no congresso e no próprio partido

Dentro da própria legenda liberal, existem lideranças da cúpula contrárias à contestação do pleito. Contudo, avalia-se como improvável que algum dirigente do partido se manifeste publicamente de forma contrária à posição oficial divulgada na noite de domingo (25), logo após a confirmação do resultado das urnas.

A margem de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro atingiu 4,4 milhões de votos, patamar considerado expressivo o suficiente pelos caciques partidários para afastar qualquer hipótese de que a prorrogação do pleito pudesse alterar o desfecho da disputa presidencial.

Dados sobre a votação e abstenção

Levantamento realizado aponta que pouco mais de 35 mil eleitores registraram seus votos após as 17h, período correspondente à extensão de duas horas no horário de encerramento determinada pelo ministro Cristiano Zanin. O volume é insuficiente para impactar o placar final, que registrou Lula com mais de 10 milhões de votos de frente em estados estratégicos.

Além disso, o índice de abstenção em território nacional registrou queda no segundo turno em comparação à primeira etapa da votação. O comportamento do eleitorado demonstra que eventuais ocorrências registradas pelo país não prejudicaram a presença nas urnas, invalidando o argumento central utilizado por Flávio Bolsonaro para tentar invalidar o resultado.

A polêmica sobre a decisão de Zanin

A ordem emitida pelo ministro do STF Cristiano Zanin gerou debates. Flávio Bolsonaro acusa o magistrado de atuar em benefício do presidente Lula, apontando seu histórico como ex-advogado e indicado pela gestão petista. Em contrapartida, o próprio PL protocolou duas solicitações para estender o horário de votação, sendo que nos locais indicados pelo partido a abstenção também ficou abaixo do esperado.

Mesmo no entorno do Palácio do Planalto, assessores ponderam que Zanin poderia ter evitado a medida, apesar de dispor de embasamento técnico. A proximidade histórica com o presidente acabou fornecendo munição para que o grupo bolsonarista questione um resultado matematicamente consolidado pela diferença de 4,4 milhões de votos nas urnas.

Fonte: G1 - Política