TSE desmente Flávio Bolsonaro sobre fiscais do PL na sala-cofre
O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu neste domingo (25) a acusação feita pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de que os fiscais do partido teriam sido expulsos da chamada sala-cofre durante a apuração das Eleições 2026. A Corte eleitoral esclareceu que o espaço possui acesso restrito, mas que os representantes da legenda circularam livremente por outras dependências oficiais designadas para o acompanhamento do pleito.
Esclarecimentos da Corte Eleitoral
De acordo com o tribunal, dois fiscais do partido estiveram na sede do TSE neste domingo e acompanharam o Teste de Integridade das Urnas, a totalização dos votos e a divulgação dos resultados.
“A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação. Todas as demais unidades e áreas do Tribunal, como a Sala de Totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros, que acompanham, de lá, desde o início, a totalização e a divulgação dos resultados do pleito”, afirmou o TSE.
A instituição informou ainda que existem registros oficiais em vídeo e documentos que comprovam a presença dos representantes partidários nos locais permitidos de fiscalização.
Reações e contestação do resultado
Derrotado pelo presidente Luiz Inácio da Silva (PT), que obteve 51,79% dos votos contra 48,21%, Flávio Bolsonaro criticou duramente uma decisão do Supremo Tribunal Federal e anunciou que pretende contestar o pleito na Justiça.
“Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que a decisão foi tomada. Então tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora nessas eleições”, afirmou.
O político também direcionou críticas ao ministro Cristiano Zanin, do STF, devido à prorrogação do horário de votação.
“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceptável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira história, ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo, às 17:01 o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”, disse.
“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou o candidato derrotado.
Ironia do processo, a extensão do horário de votação em diversos estados também havia sido solicitada pela própria campanha do senador durante a tarde.
“Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. Eu nunca vou saber se no estado aonde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, disse Flávio.
Validação institucional e segurança do pleito
Apesar das contestações, autoridades do judiciário e do legislativo defenderam a lisura do processo eleitoral. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral” logo após a confirmação do resultado.
A Procuradoria-Geral da República também chancelou a segurança das eleições. O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, destacou o trabalho do Ministério Público na fiscalização.
“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política”, afirmou o PGR, que também atua como procurador-geral eleitoral.
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçou a legitimidade da escolha popular em pronunciamento conjunto.
“Falamos isso mais cedo [antes do resultado], que precisávamos respeitar a vontade das urnas independente do resultado”, afirmou o presidente do Senado.
“O Congresso está atento ao desejo dos candidatos. Não está bom o momento de agressividade que nós estamos vivendo no Brasil e cabe ao presidente da República unir o Brasil”, complementou.
Fonte: G1 - Política