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Caderno Mercado

Nunes diz que ônibus em SP superaram demanda, mas eleitores relatam espera

Nunes diz que ônibus em SP superaram demanda, mas eleitores relatam espera

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou neste domingo (25) que a quantidade de ônibus disponibilizada na capital durante o segundo turno das eleições presidenciais foi superior à demanda de passageiros. A declaração ocorre em meio a relatos de longas esperas, pontos lotados e veículos parados em diferentes regiões da cidade.

Cumprimento de ordem judicial

O prefeito afirmou que a administração municipal recebeu a determinação judicial para colocar 100% da frota de ônibus em circulação às 13h10 de sábado (24). Segundo ele, 22 minutos depois, às 13h32, a SPTrans comunicou todas as empresas concessionárias para que cumprissem a ordem. Nunes argumentou que o prazo curto dificultou a mobilização dos profissionais necessários para ampliar a operação, mas afirmou que a prefeitura reuniu registros para sustentar que a oferta de transporte foi suficiente.

“Garanto a vocês que a quantidade de ônibus ofertadas é muito superior à demanda necessária”, disse Nunes a jornalistas, em Brasília, em frente à casa onde o senador Flávio Bolsonaro (PL) acompanha a apuração dos votos.

O chefe do executivo municipal acrescentou que a prefeitura produziu provas visuais em diversas zonas da cidade para comprovar que não houve desabastecimento de coletivos.

“Eu passei vários pedidos para que, em todos os cantos da cidade, nós fizéssemos vídeos, gravações e fotos para ver sobre demanda. Não houve em nenhum local da cidade falta de ônibus”, declarou.

Segundo o prefeito, a administração municipal tem mais de 200 vídeos e fotos de diferentes regiões da capital, incluindo as zonas Norte, Sul, Leste e Oeste, além de terminais de ônibus. Ele disse que o material seria disponibilizado à imprensa e citou o Terminal Parque Dom Pedro II, que classificou como o movimentado da cidade, mas que estaria vazio em imagens feitas pela TV Globo durante a tarde.

Transtornos para os eleitores

Apesar da avaliação do prefeito, passageiros relataram grandes dificuldades para utilizar o transporte público neste domingo, marcado por chuva e pela votação do segundo turno das eleições presidenciais. No Terminal Varginha, no extremo sul da capital, moradores disseram ter esperado até três horas por um ônibus. Também houve registros de filas em Santana, na Zona Norte, e na região do Jardim Ângela, na Zona Sul. Na Vila Zilda, passageiros relataram que motoristas se recusaram a levá-los aos locais de votação.

Nas proximidades do Terminal Santana, pessoas que passavam de carro encontraram ônibus parados e passageiros aguardando transporte. Um casal decidiu oferecer caronas a quem precisava se deslocar. Em entrevista ao g1, uma pessoa que preferiu não se identificar contou que saiu de casa para ajudar passageiros depois de ver notícias sobre a redução da circulação de ônibus e por causa da chuva.

“Quando chegamos próximos ao Terminal Santana, vimos muitas filas e ônibus parados, sem prestar serviço. Passamos por volta das 14h30”, relatou.

Decisão judicial e denúncias

No sábado (24), a Justiça Eleitoral determinou que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans disponibilizassem 100% da frota regular de ônibus municipais prevista para dias úteis durante o segundo turno, sob pena de multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.

Neste domingo, o Partido dos Trabalhadores (PT) denunciou à Justiça Eleitoral que a cidade estaria operando com apenas 60% da frota. Em nota, a SPTrans afirmou que foi notificada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) às 13h10 de sábado e comunicou as concessionárias às 13h32. A empresa disse que a ampliação da frota em prazo tão curto impôs dificuldades operacionais para reorganizar escalas de trabalho e mobilizar profissionais, ressaltando que o planejamento original seguia dados de domingos anteriores e havia sido enviado aos órgãos eleitorais.

A tarifa dos ônibus municipais permanece gratuita aos domingos, por meio do programa Domingão Tarifa Zero, em vigor desde dezembro de 2023. Após o encerramento oficial do horário de votação, às 17h, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do horário de encerramento da votação até às 19h em todas as seções do país.

Fonte: G1 - Política