Rússia lidera nova campanha de desinformação contra democratas nos EUA
Legisladores democratas dos comitês de inteligência do Congresso norte-americano revelaram nesta quarta-feira (21) que Moscou está executando uma estratégia digital voltada para minar candidatos da oposição nas próximas eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, marcadas para 3 de novembro.
Padrão repetido de interferência digital
O alerta foi divulgado pelo senador Mark Warner e pelo deputado Jim Himes logo após um encontro reservado com o diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, focado em segurança eleitoral. Embora os detalhes específicos tenham sido mantidos sob sigilo devido à confidencialidade dos relatórios, os políticos destacaram que a ofensiva cibernética segue exatamente o mesmo roteiro verificado nas disputas presidenciais de 2016, 2020 e 2024.
“A situação atual, eu diria, é que a Rússia, assim como em ocasiões anteriores, está mirando os democratas”, afirmou Warner.
O senador apontou reportagens recentes indicando que o candidato ao Senado pelo Texas, James Talarico, e o senador Jon Ossoff, que tenta a reeleição na Geórgia, figuram entre os alvos de propagandas falsas geradas por meio de inteligência artificial. Até o momento, a Casa Branca, o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional e a representação diplomática russa optaram por não comentar o caso, lembrando que Moscou nega sistematicamente qualquer envolvimento em pleitos estrangeiros.
Estratégia de caos e menção à China
Himes reforçou que a atuação do Kremlin busca fomentar a instabilidade institucional entre os eleitores estadunidenses.
“Os russos estão meio que jogando tudo na mesa”, declarou. “Caos, sabe, não confie nas suas máquinas de votação”.
Além da Rússia, o deputado avaliou que Pequim também pode estar adotando medidas para influenciar o eleitorado, repetindo condutas passadas. Em resposta, a Embaixada da China em Washington classificou a declaração de Himes como “uma acusação falsa e uma difamação grave que há muito tempo já foi provenada como infundada”.
Ameaças à integridade do pleito
A cúpula democrata também expressou receio de que o presidente Donald Trump utilize alegações de interferência estrangeira cibernética para invalidar o resultado das urnas. O temor é alimentado por declarações recentes do republicano, que afirmou que “os EUA vão queimar como a França” caso a oposição vença, prometeu bônus financeiros aos eleitores caso seu partido mantenha o poder e classificou o sistema de votação como fraudado.
Apesar do cenário de forte polarização, Himes pontuou que não existem indícios técnicos de comprometimento físico ou invasão das urnas eletrônicas e servidores de contagem.
“Nada indica que exista sequer a capacidade ou a intenção de interferir dessa forma, enquanto há um ambiente de influência bastante robusto”, afirmou.
O clima de tensão ocorre enquanto levantamentos recentes da Reuters/Ipsos mostram os democratas com vantagem nacional na preferência popular para o Congresso, aumentando as expectativas da legenda de retomar o controle da Câmara e do Senado.
Fonte: Mundo