França decreta toque de recolher após onda de protestos violentos
Milhares de pessoas se reuniram em Paris nesta quinta-feira (22), depois que a Justiça derrubou uma proibição policial, enquanto outras regiões da França cancelaram atos públicos devido aos recentes episódios de violência extrema, classificados como os piores dos últimos anos no país europeu.
Balanço de prisões e decisão judicial
Desde o último sábado (17), 2.700 pessoas foram presas em razão das manifestações e das invasões de estabelecimentos comerciais, segundo o ministro da Justiça francês, Gerald Darmanin. A manifestação na capital foi autorizada após um tribunal administrativo anular a proibição inicial da prefeitura, medida tomada pelo receio de confrontos com mascarados, saques e veículos incendiados.
Posicionamento do governo e novas restrições
O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião de segurança no Palácio do Eliseu e declarou que a estratégia oficial é barrar atos sem autorização legítima. “As regras são simples e acho que fazem parte do bom senso. A recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias”, afirmou o presidente.
Macron apontou que a violência do fim foi provocada por criminosos e grupos radicais de extrema esquerda com o intuito de atacar prédios públicos. Como resposta, toques de recolher noturnos foram implementados em áreas críticas, e novas proibições de marchas foram anunciadas em localidades como Lyon, Marselha e Montpellier.
Preparativos para o fim de semana
O ato desta quinta funcionou como ensaio para uma mobilização ainda maior no sábado (24), que deve unir a central sindical CGT e o movimento dos coletes amarelos. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu debateu estratégias com líderes sindicais na quarta-feira (21) para reforçar o policiamento, embora as conversas não tenham apresentado soluções definitivas.
Origem dos atos estudantis
O cenário de instabilidade começou no mês passado com reivindicações de estudantes de ensino médio em Créteil por melhorias estruturais e contratação de funcionários. Com a adesão de universidades e a inclusão de pautas sobre o custo de vida, o descontentamento se transformou em um amplo movimento social que pressiona a gestão do presidente Macron a menos de três anos da eleição presidencial de 2027.
Fonte: Mundo